20 março, 2006

OS MAL AMADOS

Quando recordo a minha infância algures passada numa escola deste concelho e lembro o papel e estatuto da professora local sinto um certo desconforto e tristeza!
Com o 25 de Abril a liberdade imiscuiu-se com libertinagem e perderam-se aqueles valores maternais/paternais e o povo soltou-se… melhor desgarrou-se e ignorantemente continuam de forma leviana a ter rasgos de pensamentos fugazes e ilusórios de que somos todos iguais!
Mas de facto não somos, nem nunca seremos e poderia dar aqui uma série de explicações sobre o assunto. Basta termos a ideia de que nem todos nascemos com um código genético bom e perfeito…
E depois que culpa tem o professor que a criança não consiga, não atinja ou não tenha a tal massa cinzenta a funcionar?
Há que forjar uma desculpa fácil e certeira! …
E a seta é para o professor, para a escola e para todos aqueles que rodeiam a criança quando os pais a despejam na escola. Pior é quando em casa as crianças ouvem essas acusações e sentem-se justificados e quase orgulhosos pelos pais que os desculpam.
Depois chegam á escola e imitam os progenitores verbalmente e no resto também!
Acham que os professores não conhecem a realidade? Ou não sabem a origem do insucesso ou da violência juvenil? Conhecem, discutem e até tentam resolver essas situações com qualidade quase médico-psicológica. E será esse o papel de um intelectual? Não será que querem fazer de um sábio em determinada matéria ou arte um multifunções ou um desenrasca? E será que o deixam ser professor?
È sabido que o professor tem que se impor perante todos, desde alunos diversificados, pais demasiado ausentes ou então muito picuinhas e problemáticos até funcionários e entidades executivas e camarárias. Todos exigem interferir e descarregar o seu ego para se sentirem felizes e se desculparem como pais e educadores. É tão fácil culpar os professores quando em casa os “petits” usam e abusam e apanham exemplos de atitude como irresponsabilidade, arrogância e má-criação e outros…
Já sei que vão ter outras ideias sobre o que eu penso, mas todos somos livres de o fazer no café ou então na esquina da rua. E enquanto se politizar o ensino e tivermos um Ministério da Educação ditatorial e pseudo-sindicatos sem “fleuma”, reina o desconforto e a humilhação dos que um dia sonharam que podiam transmitir a sabedoria que possuíam. No outro dia desloquei-me a uma escola do nosso concelho e observei a famosa sala onde estavam os professores de substituição sentados tal e qual prostitutas em casa de alterne, esperando que os chamem… olhando de lado com ar desconfiado para os colegas e esperando ter sorte com os próximos clientes…

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