12 outubro, 2006

A grande tarefa

Fui surpreendido com a noticia publicada na última edição do nosso "pasquim" de referência das "dificuldades" colocadas a uma tarefeira do jardim de infância de Azevedo, em Caldas de S. Jorge, pelo facto de ser portadora de HIV.

Segundo se lê, o presidente da associação de pais argumenta que a tarefeira não tem qualificações para o trabalho que faz e, é portadora de HIV!!!!!! daí que deve ser rejeitada ( segundo ele rejeitar não é discriminar....!!!! rejeitar é necessário, útil e proficuo, discriminar é uma acto negativo e persecutório)

Por sua vez o presidente da federação das associações de pais concorda e atira: "o agrupamento tem de ter atenção e contratar alguém qualificado para lidar com a criança"

Dizem, ainda, "estes pais" que a sua atitude não é discriminadora....????, olha se fosse????, quanto à filha da tarefeira que também é portadora de HIV, esta é aceite pela comunidade "escolar", por ser uma menina e, por isso não deve ser discriminada!!!!

Fiquei sem perceber nada...., confesso, a rejeição da mãe não constitui para aqueles "iluminados" acto discriminatório... não senhor!!!, ninguém tem culpa da senhora seja portadora de HIV!!, quanto à criança, é outra coisa, esta não é rejeitada... por ser menina.

O caso já seria diferente, pergunto eu, se fosse menino???, ou um senhor???, o problema só se põe com as senhoras?????

Confesso que continuo muito confuso.

Mas no meio de tanta confusão, consegui retirar algumas conclusões com este caso, que diga-se não é único neste país que se diz civilizado e solidário

A Primeira conclusão é que para ser "tarefeira" no jardim de infância de Azevedo, não basta ter vontade de trabalhar, e saber fazer limpezas.... é preciso ter qualificações para a função ( talvez um mestardo no ISVOUGA, agora que está a abrir novos cursos )!!! Estão já vocês a perguntar que qualificações são essas??? São obvias, e passo a enumerar:

1º- Se não for menina, não pode ser portadora de HIV, se for menina, então pouco importa se é portadora de HIV ou não.

2º- Caso a candidata não seja menina e for portadora de HIV, então não pode tossir sem previamente se proteger e terá de usar sempre luvas.

3º- Caso não seja menina e seja portadora de HIV então só pode ser tarefeira da sua própria filha (menina), MAS SÓ CASO TAMBÉM ESTA SEJA PORTADORA DE HIV. Caso contrário é assunto a ponderar...

5º- Seja ou não menina, tenha ou não vontade de trabalhar, saiba ou não fazer limpeza, tenha ou não luvas, tussa muito, pouco ou assim assim, terá sempre qualificações suficientes para o cargo de tarefeira, desde que não seja portadora de HIV.

Será dificil.... explicar isto ao agrupamento de escola ???. (PERGUNTO NOVAMENTE ) Ou a tarefeira deixa de ser portadora de HIV, ou então tem de deixar de tossir.... ( caramba...) alguém se deu ao trabalho de explicar isso à Sra. ( não menina) tarefeira???? caso contrário os meninos "sem HIV" deixam de fazer companhia à menina com HIV, e vão ver como é!!!!,

Dito isto e saíndo da confusão geral quero dar os meus parabens à Senhora Tarefeira que assumiu o ónus do seu passado e não negou a sua condição de ser portadora de HIV, bem como da sua filha. A Senhora pelo facto de ser portadora de HIV não tem que ser discriminada... nem positivamente nem negativamente. Se foi escolhida aquele lugar, ele é seu... e deve lutar para que aqueles que nunca tossem....e nunca se "sujam" compreendam que já pagou pelo seu passado..., recuperou ( ao que parece ? ) e não tem de se esconder ou temer pelo futuro... que a freguesia das Caldas de S. Jorge foi bafejada pela sorte de ter uma nascente de água termal, que vai concertaza ajudar a limpar algumas mentes mais "sujas ou encardidas"....

Post scriptum: Tenho a certeza que o presidente da associação de pais e da federação de pais aqui "visados", são bons pais de familia e vão "quase" todos os dias à missa... com ou sem meninas.

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