Santa Maria da Feira prepara-se para receber mais uma Viagem Medieval! Basta ver os pendões azuis e vermelhos espalhados pelas várias artérias da cidade. A coisa tem vindo a assumir uma importância cada vez maior, o que ficou bem patente nas palavras do presidente da câmara, Alfredo Henriques, que acentuou “o impacto da Viagem na região e no país, com a sua vertente cultural, lúdica e até económica”.
Segundo o autarca, “a Feira Medieval é muito falada”. Disse: “Nas viagens que faço, as pessoas identificam muito Santa Maria da Feira com esta iniciativa. Apesar de existirem outras feiras medievais, as pessoas conhecem bem a diferença e o impacto desta iniciativa. Isto apesar de termos o Europarque, outro marco da cidade”.
Mas os de Óbidos, os de Coimbra, os de Sernancelhe, os de Lamego, os de Belmonte dizem o mesmo. Mas também não se exige que ele tenha que correr todas as outras coisas medievais!
Agora dizer que os tais pendões oferecidos exclusivamente aos habitantes da “Coba” servem para criar ambiente é que me deixa confusa! Apesar de eu estar numa das freguesias feirenses, a qual não tem direito a pendão gratuito, também acho que ficaria muito bem um desses pendões numa das minhas janelas. Mas por cinco euros compro um panito maior aos marroquinos!
Depois vê-se aquele trapo mal colocado aqui e ali a esvoaçar em forma de farrapo pindérico. Talvez ficasse melhor um pendão em tecido grotesco da época que facilmente não ondulasse e assim fosse possível admirar a tal cruz dos Pereira.
Como sinto esta desigualdade em relação ao pendão, penso cada vez mais que há feirenses de primeira e outros como eu que são de segunda!
Quanto ao livro “A Feira da Vila”, de Luís Miguel Duarte, editado no âmbito dos 600 anos da atribuição da carta de feira à Feira, por D. João I, o qual até nem sei se será assim tão interessante em termos históricos ainda não conhecidos, esse também passa por algo estranho. Reparei que até ao dia 31, os interessados podem adquiri-lo pelo preço de lançamento (10 euros). A partir de um de Agosto, está à venda por 15 euros. Também não se entende tal atitude! Decerto esperam que os “ avecs” feirenses o comprem sem pestanejar a torto e a direito. Mas estando em época de saldos o normal seria diminuir o preço do mesmo!
Outro assunto onde se evidencia mais as desigualdades entre pobres e ricos são as famosas ceias medievais para Vips. Com uma carta de comidas e bebidas da época e um programa diversificado de animação, a Ceia Medieval recria grandes momentos de festim real vividos no Castelo.
Digam lá se isto não é sectarismo pseudo-politico alaranjado… O ideal seria sortear famílias feirenses e fazer desses as personagens feirenses, autênticos nobres com direito a comer tais iguarias de forma agressiva. Agora colocar lá uns políticos e outros que se julgam superiores por ter euros não é a forma democrática e igualitária da nossa constituição Portuguesa. E depois verifico que todos os anos são sempre os mesmos! O preço da Ceia Medieval é o seguinte: 65 euros (adultos) e 39 euros (crianças dos 4 aos 10 anos). Para crianças até aos três anos é grátis.
Este recuar no tempo é importante e transporta-nos para um tempo imemorial, todavia é cada vez mais uma feira de vaidades. Dessa os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações da sociedade esfomeada por circo!

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