15 dezembro, 2007

Que Pena’s

Kouzas e Louzas

Bon soir.

Já tinha algumas saudades da vossa companhia, pois vagueei durante quase dois meses nos Champs-Élysées, une Avenue du Paris France.

Estive por lá a fazer um curso intensivo de boas práticas culinárias.

Foi giro. Foi mesmo muito giro. Lá, privei com ilustres nomes da cozinha francesa e europeia.

Voltei há dois dias porque quero começar a preparar a comezaina do dia de Natal. Este ano é que vai ser... Depois da cozinha francesa, nada melhor que um bom prato de bacalhau, batatas e penca do quintal, impregnados com molho de azeite da serra.

Mas, mal aterrei no antigo pedras ao rubro, apresentaram-me logo pela frente o nosso pasquim de referência, dando nota das últimas novidades da coba e, principalmente, da hipotética necessidade de encerrar o Ornitológico de Lourosa. Dito assim, até parece não ser nada de especial. No entanto, lendo com um pouquinho de atenção a dita boa nova, tive quase um princípio de orgasmo intelectual: então não é que, finalmente, os xoxialistas, pela voz do Sir Boy Justinito das Economias, têm uma ideia brilhante e sugerem o eventual encerramento do Parque Ornitológico de Lourosa, por razões técnico-financeiras? E então também não é que o Barbinhas sorriu de satisfação por tamanha opção estratégica que saneará, estamos todos certos, todos os problemas financeiros da cambra?

Ainda por cima, finalmente poder-se-ia aniquilar toda aquela passarada que ao invés de continuar com os seus irritantes “qua-qua-qua”, saltariam directamente para as panelas e serviços de porcelana da “Vista Feliz”, na noite de consoada dos nossos tão ilustres personagens políticos.

Ora, eu como ainda vinha com a mania das dietas e das carnes brancas, tive um momento de imensa felicidade: finalmente, iria poder colocar em prática os ensinamentos dos Champs-Élysées e ainda por cima, confeccionar pratos (ou espécies patos ou gansos ou tansos) com aves raras e de nomes esquisitos. Poderiam não ter um sabor e uma carga vitamínica por aí além, mas a ementa teria nomes com classe. Já me estava a imaginar a cozinhar para os nossos avariadores...

Favas com Casuar Unicarrasculado;

Arroz malandro com lascas de Cisne;

Coruja das Neves Assada com molho de coentros e salsa-parrilha;

Arara estufada em Moet Chandon;

E outras “sugestões” du chef (cá o je).

Mas depois, comecei a reflectir e... trrrinnnnmmmmm.

Grás!!!

Passaram uns momentos e... novamente... trrrinnnnmmmmm.

- Era o despertador. Acordei.

Devo dizer que me levantei sobressaltado pois esteve eminente a transformação do sonho num pesadelo.

Embora realmente tenha estado há tempos nos Champs-Élysées, une Avenue du Paris France, a verdade é que não tirei qualquer curso de culinária e nem sequer tenho muito jeito para as tarefas domésticas (embora as faça, como qualquer mortal).

E porque não tenho grande jeito para cozinhar aves raras, nem conheço por estes lados qualquer cozinheiro para aí virado, é que acho, estranha (e inadm... ok, ficámos pelo estranha), a tamanha malvadez que o sonho me ia pregando.

Vou ser sincero e o Senhor Director do Pasquim de referência que me perdoe, mas a verdade é que já não leio o “Terras” há um bom par de meses (não vou muito em futebois...)

Por isso, também quero dizer que só um sonho herege e com alto teor de blasfémico é que poderia sugerir que os nossos avariadores e chefe dos avariadores pensam, nem que seja por instantes, encerrar, por razões financeiras, o Parque Ornitológico de Lourosa.

Senão, seria caso para perguntar:

- Então o carácter educativo, o de investigação e de preservação da Kouza não conta?

- Deverão estas Kouzas das aves raras ser mensuráveis e transformar-se no bode expiatório das finanças municipais?

Olhe que não doutor... Olhe que não...

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