06 dezembro, 2010

Para os amantes do cinemas, mas também para os que querem descobrir e aprender

image Manoel de Oliveira será um dos pontos fortes do 14º Festival de Cinema Luso-brasileiro. Essa relevância é reforçada pela celebração do  aniversário do cineasta. Bonita idade esta, reforçada por uma lucidez absoluta e uma capacidade de trabalho invulgar até entre os muito mais novos.

Com esse sentimento, foi elaborado um programa constituído por um filme de cada lado do Atlântico. Do lado de lá e em estreia, MANOEL DE OLIVEIRA ABSOLUTO, de Leon Cakoff, director da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Pelo lado lusitano, PAINÉIS DE S. VICENTE DE FORA, VISÃO DE FORA, de Manoel de Oliveira e produzido pela Fundação Serralves. 

O festival torna ainda possível ver na sessão antológica DO VISIVEL AO INVISIVEL, uma curta metragem de Manoel de Oliveira sobre “a artificialidade da sociedade de consumo exacerbado”. Uma temática de facto actual e pertinente. 

Na sessão de encerramento, Manoel de Oliveira a dobrar (e com muito gosto): a curta metragem A CAÇA, uma verdadeira preciosidade do nosso cinema que foi realizada em 1963 e a estreia de O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA, com a presença do próprio realizador. 

O festival faz uma clara aposta no cinema português em termos de blocos programáticos: para além de Manoel de Oliveira, estão em destaque Miguel Gonçalves Mendes – Realizador em Foco e Cláudia Varejão – Sangue Novo. 

O festival assume também uma linha de risco, obrigando o espectador a um sentimento de descoberta com NOVE CRÓNICAS PARA UM CORAÇÃO AOS BERROS de Gustavo Galvão e CORPO PRESENTE de Marcelo Toledo e Paolo Gregori. 

Para propostas mais ousadas, o festival aposta nas sessões à meia-noite, encontrando-se objectos singulares: TIKIMENTARY – EM BUSCA DO PARAÍSO PERDIDO, de Duda Leite, sobre a cultura TiKi; PUNK IS NOT DADDY, de Edgar Pêra, que vagueia pelo louco cenário da música moderna portuguesa da década 80 e FUCKING DIFFERENT SÃO PAULO, um filme com uma forma diferente, onde o masculino retrata a relação lésbica e o universo gay é abordado sobre a óptica feminina. Ainda com menção merecida, BEM-VINDO A SÃO PAULO, obra de realização colectiva com nomes consagrados como Maria de Medeiros, Tsai Ming-Lian, Amos Gitai, Mika Kaurimaki, entre outros e com a narração de Caetano Veloso.
Muitas boas sugestões que não devem deixar os amantes cinéfilos indiferentes. 

A competição oficial é composta por quatro longas metragens brasileiras e uma portuguesa – A ESPADA E A ROSA, de João Nicolau – com vários prémios e menções em disputa.

Nas curtas metragens, 18 portuguesas e 11 brasileiras compõem a competição. 

Em nota de rodapé, de referir a particularidade de todos os filmes brasileiros serem inéditos em Portugal e serem várias as estreias portuguesas. 

Por isso e muito mais, o 14º festival de Cinema Luso-brasileiro é um momento único no panorama cultural feirense e nacional. 

Para os amantes do cinema, mas também para os que querem descobrir e aprender. 

Alferes Pereira

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