25 março, 2011

É preciso coragem para defender o Hospital de São João da Madeira. Isso não será feito nem com PS, nem com PSD

Em Dezembro de 2010 o Bloco de Esquerda fez chegar ao Ministério da Saúde um documento no qual mostrava a sua preocupação pelo encerramento temporário do internamento e da fisioterapia no Hospital de São João da Madeira.

Para o Bloco de Esquerda, esse era mais um episódio preocupante, até porque constituía mais um passo no sentido de empobrecer e desinvestir no Hospital. Não haja dúvidas que o objectivo é o encerramento do mesmo.

Infelizmente, os episódios de desinvestimento e desestruturação no Hospital sucedem-se. O Bloco de Esquerda sabe que o internamento do Hospital de São João da Madeira está encerrado aos fins de semana desde o início do ano. Este facto foi comunicado pela ARS Norte à Câmara Municipal.
Ao mesmo tempo que se procede a este encerramento gradual de valências e serviços no Hospital, não se investe nas áreas que se têm vindo a constituir como referência. Por exemplo, o Bloco de Esquerda sabe também que áreas como as de Psiquiatria e de Consulta da Dor necessitam de mais especialistas no quadro mas não tem havido vontade de contratar mais médicos. Ao mesmo tempo, as Urgências continuam a ser um sistema de reencaminhamento de doentes, contando apenas com um Clínico Geral.
 
Sabemos que o PS e o PSD se têm, entretido em proclamações de salvação do Hospital de S. João da Madeira, mas muitas dessas proclamações são para entreter e esconder o péssimo serviço que esses partidos têm prestado à Saúde enquanto serviço público.
 
A Câmara Municipal de São João da Madeira começou mal com o péssimo protocolo que assinou com um Ministro da Saúde demissionário. É um protocolo que em nada garante as Urgências no Hospital de S. João da Madeira e que não conseguiu impor ao Ministério da Saúde os interesses da população. Essa mesma inépcia é bem visível na participação que a Câmara Municipal de SJM fez na consulta pública sobre reestruturação dos serviços de saúde na região do Entre Douro e Vouga. É uma participação displicente, sem dados concretos e que tem como arauto do argumento para a manutenção do Hospital o facto de ele... já existir há muitos anos. Ora, isto é desistir de lutar pelo Hospital e pelos interesses das pessoas.
 
A Câmara e o seu Executivo PSD têm continuado as suas propostas para entreter. A última vem no sentido de se fazer a proposta ao Ministério de Saúde para que este adquira o terreno e edifício do Hospital. Sem termos nada de princípio contra tal proposta, apenas parece que ela em nada alcança aquilo que é realmente importante para a situação e é um tiro bastante ao lado do que realmente importa. Vejamos:
  1. O facto de as Urgências do Hospital de SJM não estarem na rede nacional de urgências justifica-se pela simples razão de que ter um médico de clínica geral não é ter umas Urgências a funcionar. A reivindicação deverá ser a do apetrechamento de pessoal nas Urgências do hospital, para que este adquira, pelo menos, um Serviço de Urgências Básico.
  2. O desinvestimento no Hospital de São João da Madeira nada tem a ver com o facto de o terreno ser da Santa Casa da Misericórdia. Tem sim, a ver com o facto de o PS e o seu Governo ter como objectivo, há muito tempo, o encerramento de vários serviços de Saúde, alegando que assim poupam uns trocos;
  3. O próprio PSD, partido de Castro Almeida, já demonstrou várias vezes que é sua intenção proceder a uma gradual privatização da Saúde em Portugal. Mais, não esquecemos que o “manual de governação para o PSD”, editado há poucas semanas, defende o encerramento de todos os hospitais “generalistas”, onde certamente se incluirá o de São João da Madeira.
Por isso, o PS e o PSD têm-se apoiado mutuamente nas suas propostas parta entreter, porque ambos os partidos defendem, sem sombra de dúvidas a morte lenta do Hospital de São João da Madeira. 
 
Para o Bloco de Esquerda, a única hipótese é a reivindicação pela contratação de profissionais para as valências que hoje se mostram de referência como a Psiquiatria e a Consulta de Dor. Ao mesmo tempo, a reivindicação para a contratação de mais médicos para a equipa de Urgências, o que é, aliás uma necessidade para os serviços de saúde da região, uma vez que o São Sebastião se prende com situações crónicas de ruptura de serviços. Por fim, o caminho para lutar por este Hospital não é o do secretismo da situação, mas sim o da sua exposição à população, impondo-se sempre contra qualquer encerramento ou desinvestimento. 
 
Nesse particular não poderemos contar nem com PSD nem com PS, nem com Castro Almeida, nem com Pedro Nuno Santos, que preferem manter o silêncio de chumbo sobre os destinos do Hospital para não atrapalhar o destino dos seus próprios partidos.
 
O deputado do BE Pedro Filipe Soares questionou o Ministério da Saúde. Ler aqui as perguntas
 
Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Aveiro

3 comentários:

JP disse...

Coragem é assumir que não faz sentido 2 hospitais juntos. A dívida pública e externa do país é enorme. Este é um exemplo de poupança. Deixemo-nos de bairrismos e pensemos no país. Dispendam o dinheiro no alargamento da variante Arrifana-Feira. Os hospitais de Ovar, Vale Cambra e Oliveira Azemeis tb devem fechar de vez. Os recursos serem transferidos para a Feira e os excedentes colocados noutra zona ou indmenizados. Se queremos pagar menos impostos, temos de ser eficientes no uso dos recursos.

Bruno Costa disse...

Nem mais!

Carlos Sousa SJM disse...

ja agora divimos os varios juizos do tribunal da feira pelas varios tribunais EXISTENTES de S. João da Madeira, Ovar, Vale de Cambra e Oliveira de Azemeis e evitamos a anedota nacional que é o tribunal da feira em que ja alguns fugiram pela janelas para nao questionar o valor do aluguer,o tempo de duraçao do contrato e das prespectivas de virem a ter um nos tempos proximos... é tudo uma questao de coragem espero que mantenha a sua JP, mas se achar que vai falhar o bc23 da-te uma força... hehehe