13 novembro, 2011

PAN - Portugal, país à deriva

Artigo de opinião de António Caldeira, membro do Grupo de Trabalho do PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza sobre Justiça Social

As grandes figuras da História da humanidade foram sempre pessoas capazes de pensar fora da matriz na qual foram formatadas, ou seja, não se limitaram a pensar e agir da forma e com as variáveis que lhes ensinaram, nem como os interesses instalados desejavam.

Perante a actual e grave crise mundial, europeia e nacional, Passos Coelho e a sua equipa apenas se limitam a um horizonte circunscrito, agindo e servindo os interesses de um modelo em falência anunciada.

Portugal contraiu dívida, pública e privada, muito para além do razoável, devido a uma sequência governativa de políticos irresponsáveis e sem visão. Também não deve esquecer-se que o sistema financeiro internacional emprestou, durante a última década, dinheiro a rodos com juros abaixo da inflação, incentivando a contracção de dívida, comportando-se como os narcotraficantes, que primeiro criam a dependência e depois escravizam as vítimas.

Para irmos ao fundo da questão teremos primeiro de investigar onde foram os bancos buscar os triliões que emprestaram. A conclusão é que os foram buscar a um sistema de engenharia financeira que permite multiplicar cada euro depositado num banco, ou pedido emprestado ao Banco Central Europeu, até nove vezes. Ou seja, trata-se de dívida contraída quase a partir do nada, não de riqueza real mas de riqueza a produzir e extorquir no futuro.

Importa perguntar por que razão os estados não emitiram moeda em vez de pedir aos bancos. Segundo parece, para evitar inflação e limitar desvarios entre estados nacionais, estes acordaram no Tratado de Lisboa, no artigo 123, a não-emissão de moeda pelos bancos centrais, só que esta medida colocou os estados na mão dos bancos, vendo-se aqueles obrigados a pedir empréstimos a juros elevados, proporcionando aos bancos comerciais lucros fabulosos, numa autêntica roleta de produzir dinheiro.

Criou-se assim um sistema de extracção de riqueza dos estados, que a partir de determinado nível de dívida, conjugado com a subida dos juros, obriga a que estes encontrem mais e mais formas de ir buscar o dinheiro à sua real fonte, os contribuintes. Mas os impostos que se podem arrecadar têm limites, e dependem em última instância da dinâmica da economia, e aí encontramos dois problemas: a globalização, estando a Europa a concorrer com uma China onde os trabalhadores não têm direitos e onde, por essa via, os custos da mão-de-obra são muito inferiores; e a desconfiança generalizada do sistema financeiro, devido à crise imobiliária nos EUA, que levou à escassez artificial de dinheiro, o que fez arrefecer/contrair a economia.

Enfrentamos um problema grave, pois os estados precisam de mais dinheiro e “não podem”, ou não querem, emiti-lo. No caso de Portugal, também não é possível pedir mais dinheiro emprestado, perante a realidade dos juros especulativos do mercado enlouquecido. O que resta então?

A políticos como Passos Coelho e Vítor Gaspar resta o óbvio: vender o mais possível os anéis, privatizando para realizar dinheiro e com base no dogma de que os privados administram melhor; e fazendo com que os Portugueses trabalhem mais por menos, num caminho que os aproxima dos trabalhadores chineses. O tão falado aumento da competitividade não é para estes políticos muito mais do que isto.

Acreditam que tudo tirando aos trabalhadores, colocando as famílias a pão e água e diminuindo a despesa do Estado, pela via simplista do corte de vencimentos dos funcionários públicos e redução das despesas sociais, conseguirão aplacar os deuses do capital especulativo, que virão depois como fadas benfazejas em socorro dos Portugueses, investindo e criando emprego.

O óbvio para lá do óbvio mostraria que diminuindo drasticamente o consumo, por retirar demasiado rendimento às famílias, e apresentando um quadro negro da economia do país que mina toda a confiança, inclusive a dos especuladores, dividindo os Portugueses entre funcionários públicos e privados, só se acrescenta recessão à recessão, caindo-se numa espiral em que os impostos nunca serão suficientes (e podendo mesmo levar a um decréscimo da receita fiscal) para suportar a dívida. Mata-se o doente com a cura.

Ficaremos mais pobres e com mais dívida. Será esse o legado destes políticos que apenas pensam de forma primária, tendo em conta o sistema em que estão formatados e incapazes de se posicionar para além e fora dele.

Se Portugal tivesse sido bem governado não enfrentaria agora o actual nível de dívida. Em tempo de emergência, a preocupação seria manter o consumo e confiança na economia, reduzindo o peso do Estado, mas cortando na estrutura e não nos funcionários públicos e nas despesas sociais de forma geral e cega, introduzindo equidade na distribuição de rendimentos, acabando com privilégios e remunerações eticamente inaceitáveis, aumentando a auto-sustentabilidade do país, nomeadamente incentivando um regresso aos campos e a uma agricultura de base biológica, e batendo o pé na Europa por uma reforma real do sistema financeiro. Tudo isto em vez de se limitarem a ser meninos obedientes e cumpridores das directrizes concertadas entre a chanceler Angela Merkel e o presidente Nicolas Sarkozy.

6 comentários:

Anónimo disse...

Na «mouche»

Anónimo disse...

Para resolver todos estes problemas era preciso um governo sério,inteligentee que não se quizesse governar,mas sim o País.Tivemos um há poucos anos.Dum País arruinado pelos assassinos républicanos deixounus uma nação puderosa a todos os níveis,o desemprego não existia nem dívida esterna,mas esse tal chefe de governo era pobre e morreu .pobre.Não nos aparesserá outro igual.SALAZAR.Ninguem se puderá igualar a ELE para nosso azar.Muito embora muita gentinha queira denegrir o seu nome a história hade mostrar quem de facto foi.Viva a memória de SALAZAR.

Rothschild disse...

Quando é que esta gente fascizoide desaparece? Já estamos fartos deste pessoal. Era pegar nestes e nos Otelos e dar-lhes uns açoites bem dados.

Anónimo disse...

...pois.
Sem querer tirar mérito à sua reflexão não posso deixar de reparar que isto não tem nada a ver com animais...sencientes. Nem me parece que o pais possa ser (re)ancorado de "lulu" ao colo.
No fundo o que lhe pretendo dizer é que apesar do diagnóstico que apresenta já ser sobejamente conhecido por todos (e.g. comentários do Marcelo na TVI) o seu contributo teria mesmo assim uma outra "credibilidade" ou melhor, um outro "impacto", se nos conseguissemos abstrair daquela sensação estranha e desconfortável que sentimos ao ler o comentário de alguém que só se alimenta de vegetais. ( ou não )
Digo eu

Anónimo disse...

Mais uma vez lamento profundamente que a sociedade portuguesa entre sempre na calúnia e numa do "toca e foge".
Desde quando é que o PAN, os seus membros, militantes ou simpatizantes só comem vegetais!? Onde é que está escrito, em que manifesto, estatuttos etc refere que o PAN só quer as pessoas a comerem vegetais!? Por amor Deus parem de uma vez de fazerem das pessoas parvas...
Nenhum partido deste país é mais plural que os membros ou quem compõe o PAN uma vez que este é composto e nasceu da sociedade civil onde se incluem antigos membros e muitos filiados em partidos famosos como PS, PSD, PCP, Bloco de Esquerda etc!
Conheço até alguns e comem carninha e peixinho também...
Não percebo tamanha perseguição.
Mas é o país e a mentalidade desta gente que vai falando mais alto!
Não votem, não gostem tudo bem.
Mas haja uma pingo de orgulho por haver uma partido que nem é de esquerda, nem direita, nem do centro. É um partido claramente à frente e segue o que ainda só existe em países claramente muito mais desenvolvidos que Portugal, que é terem um partido com vocação para debater, promover, sensibilizar e defender os animais.
Que fique claro que não sou o autor nem tenho nada a haver com este artigo de opinião!
Agora orgulho-me de fazer parte dos mais de 60 mil eleitores que dicidiram em duas eleições darem força a um projecto que vai custar muito desenvolver mas que acredito que vai valer a pena...
Pelo menos o PAN já colocou alguns deputados muito aflitos e agendarem intervenções na AR e imagine-se para falarem de quê!? Isso mesmo de animais em plena AR!
Que gozo me dá vêr isto e mais a hipócrisia bem estampada na cara de quem não tem um pingo sequer de vergonha.
José Santos

Anónimo disse...

caro José Santos.
Por lapso, não inclui o meu nome no comentário anterior. Nada de grave, porque tenho agora a possibilidade de o fazer.
Compreendo e respeito a sua "indignação" mas não posso deixar de lhe mostrar aqui outros ângulos de análise que talvez não tenha ainda considerado. Em Portugal, um partido político quanto à sua ideologia,"posiciona-se" por definição comummente aceite por todos, á Esquerda, ao Centro, ou á Direita. Certos fundamentalismos ideológicos que caracterizam alguns destes partidos fazem com que sejam "remetidos" numa lógica "posicional" para os extremos deste...digamos que, eixo de referência, se é que podemos dizer assim. Decorre do seu indignado comentário que o PAN, não sendo de esquerda, do centro ou de direita, então só poderá ser por exclusão de partes, de cima, de baixo ou dos lados.Trata-se agora de saber em qual destes posicionamentos ideológicos se insere o PAN.
Talvez o ilustre comentador, nos possa esclarecer a este respeito.
Outro aspecto relevante na sua intervenção decorre da sua análise aos hábitos alimentares dos memobros do PAN.
Siga o meu raciocínio e tente encontrar as semelhanças:
- Se Deus está em todo o lado e ninguém o vê, então Deus deve ser gasoso.
- Se o PAN defende intransigentemente os animais (sencientes)então os seus membros devem comer vegetais.
Pelo exposto, se os membros do PAN comerem animais (sencientes)como de resto parece ser o caso, então estaremos perante uma contradição.
Resta-nos agora saber de que lado está então a hipocrisia.
Mais haveria para dizer em relação a este assunto, mas não pretendo ser demasiado exaustivo e com isso estragar-lhe o almoço.

Bettencourt

obs: habitualmente encontro-me no Blog das Caldas de S. Jorge. Se assim o entender passe por lá e talvez possamos debater melhor este tema, embora também o possamos fazer aqui dado que sou leitor assíduo do Kouzas.
Cumprimentos.