21 março, 2012

...lutas intestinais no PS/Feira

por bettencourt
 
Quero antes de iniciar este comentário, anunciar que me proponho fazer aqui o papel de um exegeta que, para quem não sabe, é todo aquele que pratica a exegese. Nâo sem antes relatar-vos um episódio que aconteceu à meia dúzia de dias atrás e que passo a descrever: 

Estando eu em conversa informal com um destacado dirigente partidário da nossa praça, ouvi-lhe às páginas tantas o seguinte comentário a propósito da actual situação política que se vive no seio do PS/Feira. 

- Aquilo, dizia ele, está muito confuso. Parece que andam em “Guerra Civil”. 


- Sim, é verdade. Retorqui eu. …em “Guerra fratricida”. 

O contexto desta conversa era o de hipoteticamente ser possível fazer convergir numa plataforma comum determinados pontos de vista sobre política Autárquica que não interessa no âmbito deste post, desenvolver.
Seja como for, serviu esta introdução ( pouco ortodoxa ) apenas para nos balizarmos quanto ao teor da presente crónica. Vamos então e agora à exegese propriamente dita.


O conteúdo das declarações feitas por Henrique Ferreira, membro da Concelhia do PS, ao Terras da Feira, tem a particularidade de pôr em evidência aspectos que merecem ser reflectidos. 

Desde logo, a constatação factual de que o PS/Feira vive na realidade um estado de guerrilha interna ( ou de lutas intestinas como também “soi” dizer-se ) corporizado numa contenda verbal que envolve dois protagonistas que são nada mais nada menos do que duas importantes e incontornáveis referências do partido, atendendo ao percurso político de cada um deles. Eu prefiro no entanto entender estas disputas mais como um sinal de vitalidade democrática do Partido do que ter de admitir que na verdade este linguajar exacerbado tem o objectivo encapotado de delinear uma espécie de cerco estratégico que vai sendo movido ora por um, ora por outro, ora contra uns, ora contra outros. Sendo portanto visível nas entrelinhas de que com este papaguear, os litigantes poderão vir a assumir a liderança e/ou alternativamente, poderão vir a integrar um qualquer projecto político que tenha sido recentemente cozinhado na mesma panela autárquica que tem cozinhado outras inúmeras receitas de há 30 anos a esta parte e, claro está, cozinhado esse com o qual necessariamente se lambuzem que é como quem diz, revejam. 

Mas isso sou eu a conjecturar que sou “noviço” e ingénuo nestas lides. Adiante. 

Dando seguimento à exegetação do comentário exacerbado (?) que foi proferido por Henrique Ferreira a propósito das declarações de Vitor Fontes, sublinhei algumas passagens que fundamentam e estruturam este meu texto “exegetado”. 

Ao considerar as suas ( as de Vitor Fontes ) “ apreciações críticas algo excessivas, e em alguns casos, injustamente contundentes” poderíamos até considerar que correspondem ao tal sentimento de falta de “ lealdade e honestidade políticas “ para com o camarada visado ( António Cardoso ) ou até  mesmo (digo eu ) e mais genericamente para com qualquer outro camarada que estivesse no enfiamento do seu discurso.
Repare-se no entanto que estes conceitos, ( lealdade e honestidade política ) aparecem-nos aqui distorcidos porquanto esses são deveres que deverão estar primeiramente em consonância com a consciência de cada um, a seguir e por motivos óbvios devem estar em linha com os eleitores e as eleitoras na qualidade de destinatários privilegiados e só depois deverão estar ao serviço do partido. Por esta mesma ordem.
Nesse sentido este recado/resposta endereçado a Vitor Fontes, enferma de algumas falácias que importa aqui demonstrar. 

Vejamos: 

Então, como diz Henrique Ferreira, “melhor andaria Vitor Fontes se procurasse reflectir no interior do partido sobre as questões que de forma pouco responsável ou mesmo leviana coloca na praça pública”? 

Mas…será que andaria mesmo? pergunto eu. 

Na verdade não me parece. A praça pública é por excelência o palco privilegiado da política, e por isso, esta é precisamente uma das incongruências ( como de resto e no essencial ressalta das declarações de Vitor Fontes ) que faz, dizia eu, com que o partido se torne cada vez mais hermético e consequentemente mais distante dos cidadãos.  

De facto, o que se pretende é combater esta postura epidémica que tem conduzido o partido a um continuado e descabido "fechamento" sobre si mesmo. 

Ora, contrariamente à sugestão de Henrique Ferreira que apela à reflexão no interior do partido contrapõe Vitor Fontes dizendo que é premente abrir o partido à sociedade em geral, criando-se com esta não só laços de identidade mas sobretudo de maior proximidade, permitindo assim ao partido sorver os melhores contributos que possam eventualmente advir de uma franja de pessoas politicamente mais esclarecidas e interventivas mas que sistematicamente esbarram na campânula translúcida do dirigismo Socialista da Feira, que se tem tornado cada vez mais introspectivo, diria mesmo Asceta. 

Neste contexto, Henrique Ferreira dá um tiro no próprio pé quando apontando o dedo acusador a Vitor Fontes dispara (para baixo, para o pé): 

“…Nem se lava as mãos como Pilatos, assobiando para o lado enquanto a crucificação se avizinha.” Ora, se retirarmos à frase o que ela tem de acessório resta-nos a premonição de que se avizinha uma crucificação. 

Não será este também um dos muitos motivos de gáudio dos adversários? O reconhecimento implícito e antecipado do pecado político? 

E o que dizer da questão suscitada por Henrique Ferreira sobre “legitimidade política” ? 

Segundo ele, Vítor Fontes não reúne suficiente legitimidade política para se alcandorar dentro do PS-Feira, ao nível e com o distanciamento que supostamente pretende. É que, como ambos e muitos outros sabemos, Vítor Fontes ainda não liderou nenhum cargo político no PS-Feira.
 
Confesso que depois deste desiderato, não terei muito mais a dizer. É que nem sei muito bem por onde lhe pegar. Talvez acrescentar que está assim explicado de forma sucinta a verdadeira essência da legitimação política resultando portanto daqui que, depois de toda esta minha esforçada “exegetação” já só me resta ir para padeiro por óbvia falta de legitimidade política. 

Quem sabe. 

Seja como for e para concluir, que o post já vai longo, resta-me dizer que ou o partido, reflecte MADURAMENTE nas palavras de Vitor Fontes e as entende mais numa lógica de diagnóstico do que num ataque pueril e imberbe ou, em 2013, ano de autárquicas, iremos estar a comer Fogaças da marca Emídio acompanhadas com um tinto da marca Salazar na base da cruz que há-de crucificar o futuro líder do candidato do PS/Feira . 

É para mim claro que aqui no concelho em termos políticos não se pode dar “abébias” ao adversário mesmo sabendo nós que em Santa Comba, Dão. 

Até Já

9 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem. Acho que temos aqui um belíssimo candidato do PS à Câmara da Feira, já que de uma forma muito mais subtil, deu um grande murro nas fuças do Riquito, não lhe partindo os óculos mas estalando-lhe totalmente o verniz.

Paulo Pinto disse...

Que novela. O PS não se aguenta das pernas. Nem sei como podem pensar em Governar alguém. Deviam fazer um retiro de 10 anos para reflexão e aparecer nas eleições seguintes. Desta vez, sem terrenos a 1€, que a malta não gosta de ser aldrabada.

Anónimo disse...

Quero dizer ao democrata PP, que eu não quero ser governado por ninguém, nem no concelho nem no país. Sabe porquê? porque só precisa de nomear tutores quem não sabe se governar

Anónimo disse...

Tanta confusão por causa de uma câmara municipal insolvente... o psd devia ser obrigado a ficar á frente dela até repor as contas em ordem.

Paulo Pinto disse...

Agora aqui temos anónimos anarquistas. Essa é nova. Deve fazer parte daquele grupo que diz "isto está tudo mal, mas eu nunca votei...".

Anónimo disse...

Guerra, que guerra?
Jantares com o Toninho e o pinto que quer ser galo, noitadas a conversar e a convencer os lados opostos. Será que o pinto chega a galo????

Anónimo disse...

Amigo PP,admiro algumas de suas intervençoes,já agora me diga,..está á sua frente trez ou quatro potes com diferentes merdas,todas mal cheirosas,qual delas o Sr escolheria para si?.

Anónimo disse...

ao pp
começa por me rotular e logo de seguida põe na minha boca palavras que eu nunca disse. sim eu nunca votei, nem possuo cartão de eleitor, nif, bi ou qualquer outro, por opção. você é só o resultado de 37 anos a educar para não saberem pensar.

Paulo Pinto disse...

Quem acha que só tem potes mal cheirosos tem uma boa solução: avança e mostra que o seu pote cheira melhor. É que políticos somos todos, por muito que algumas pessoas não o entendam.