Parece que vou dar uma explicação daquelas que se dão aos alunos menos estudiosos da nossa sociedade! Mas é necessário porque andam por aí muitos e muitas que ainda não perceberam porque se festeja o 25 de Abril e desconhecem a nossa Constituição e não conhecem absolutamente nada sobre direitos e deveres dos trabalhadores. Pois se conhecessem não diriam barbaridades sobre o motivo pelo qual os professores fizeram greve!
O mais grave é todos pensarem que são bonitos e inteligentes nos mesmos parâmetros de catalogação e que é possível classificar pessoas em prateleiras pontualizavéis. Acho incrivelmente idiota quando comparam a escola com uma empresa e alunos como produtos finais acabados e professores como escravos de um qualquer patrão da cortiça que acha que é bom só porque tem um BMW! Depois aparecem os “totós” entrevistados pelas tvs a dizer que não entendem, porque lá na sua empresazinha também são avaliados. E pelos vistos vão continuar assim com as palas a olhar de frente como “um boi a olhar para um palácio” e só é assim porque querem ser socialistas.
Ensinar é uma arte e há gostos para tudo e ainda bem! Não podemos classificar professores só porque são simpáticos ou porque falam bem e de forma audível. Cientificamente sabemos que é impossível colocar todas as sabedorias numa mesma estrutura hipotética e surrealista de avaliação.
Claro que depois os que são professores também não gostam de todos os colegas e cada um tem essa liberdade de escolher e até de sentenciar.
Espero que apesar de não estarem por dentro entendam que o motivo da greve não é avaliar, mas sim a forma de avaliar e é claro que só quem está por dentro e conhece o forma e o conteúdo é que posso comentar ou criticar. Mas existem outros motivos relacionados com o estatuto da carreira docente. Isto de catalogar docentes em 2 categorias é um perigo e é injusto. Vou dar um exemplo para os menos atentos perceberem. Existem professores que são titulares porque já tinham um certo número de anos de serviço e tinham cargos como por exemplo coordenação de instalações porque tinham problemas de saúde, embora sejam bacharéis e vão agora ser avaliadores de outros que dominam melhor as pedagogias modernas e até são possuidores de licenciatura e outros. Mas proliferam muitas outras situações de desigualdade e abuso de uns perante os outros.
Depois nem todos sabem criticar, e a maioria limita-se a escrever frases estupidamente ignóbeis sobre as pseudo-faltas dos professores ou sobre os horários. E depois eu tenho pena que esses que não entendem e nada sabem digam disparates. Acho incrível que não se saiba que os professores também adoecem e também tem família. Que ao fazer uma visita de estudo ou outra actividade com uns estão a faltar a outros. Que passam horas a preparar aulas e a preencher grelhas para milhares de coisas e depois sejam obrigados a dar aulas de substituição sem ser pagas e ter horas e horas semanais de reuniões durante a noite sem ser contabilizadas no seu horário e que nunca são pagas.
Claro que a maioria desejaria ter um horário das 9h às 17h e sem levar trabalho para casa e com reuniões extra-horário pagas. E é claro ter o emprego perto de casa sem esses concursos que os obriga andar com a casa às costas.
Mas enfim….temos esta sociedade porque talvez nunca foi educada de outra forma e continua a não respeitar o direito das pessoas.
Nota: Quando perdemos isto voltamos a fazer outro 25 de Abril! Interpretem bem!
LEI DA GREVE
Lei nº 65/77
de 26 de Agosto
A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 167º, alínea c), e 169º, nº2, da Constituição, o seguinte:
Artigo 1º
Direito à greve
1 – A greve constitui, nos termos da Constituição, um direito dos trabalhadores.
2 – Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve.
3 – O direito à greve é irrenunciável.
Sem comentários:
Enviar um comentário