10 fevereiro, 2010

PCP- Rohde na Assembleia da República

O Grupo Parlamentar do PCP, através do Deputado Jorge Machado, apresentou duas perguntas sobre a  evolução da situação social da empresa rohde, em Santa Maria da Feira! Uma ao Ministério do Trabalho e Solidariedade Social e outra ao Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento.

“Depois de longos meses de indefinição sobre o futuro da empresa e dos seus 984 trabalhadores e de toda uma série de manobras dilatórias, é agora apresentado um novo “plano de viabilização” que mais não é do que a destruição pura e simples da Rohde.
Outra conclusão não se pode tirar desse “plano” que prevê numa primeira fase a venda dos bens da empresa e das suas máquinas, cujos valores têm sido cirurgicamente subavaliados, para pagar aos trabalhadores, sempre noticiados como únicos credores, embora surjam hoje indicações de tal facto não ser verdade. O dito plano de viabilização prevê o pagamento de dívidas com a retoma da laboração apenas com 150 postos de trabalho, mas pelos vistos já sem quaisquer equipamentos, nem infra-estruturas!
Não se pode admitir que uma empresa desta dimensão, sendo o maior fabricante de calçado no país, com património considerável, maquinaria e mão-de-obra especializada, continue a ser desbaratada desta forma, ao serviço dos interesses da multinacional Rohde e perante a inacção do Governo PS - que só se preocupou em adiar os despedimentos até às eleições.
Num momento de profundo agravamento da situação social, em que o desemprego não pára de crescer no país e aqui no concelho de Santa Maria da Feira em particular, as consequências deste “plano”, não só para os trabalhadores da Rohde, mas para toda a comunidade feirense representariam um autêntico crime social.
A actual crise económica só se combate e resolve com melhores salários e pensões, que dinamizem o mercado interno, e com mais produção e investimento e não com sucessivos encerramentos de empresas e despedimentos. Por isso mesmo, o que a Rohde precisa é de um verdadeiro plano de salvação que impeça a sua progressiva destruição. A Rohde precisa de investimentos que o Governo deve decidir e a CGD concretizar, precisa de produzir e vender novos produtos.
A Rohde, se tiver apoio do Estado, se for dirigida para servir os interesses da economia nacional, com a intervenção dos trabalhadores no controlo da gestão, pode ser a médio prazo uma empresa rentável e em condições de cumprir os seus compromissos.
Assim, e ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, venho requerer através de V. Exa., ao Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, resposta às seguintes perguntas:
· Confirma esse Ministério as soluções atrás apontadas?
· Como explica esse Ministério a ausência de investimento do Estado nesta empresa e nesta indústria por forma a salvar os postos de trabalho de 984 trabalhadores e do seu rendimento, bem como do rendimento das suas famílias?

  • Entende esse Ministério não serem viáveis os postos de trabalho da Rohde?

  • Pretende esse Ministério tomar medidas tendentes a evitar o despedimento de cerca de 800 trabalhadores, com as graves consequências que tal acarretará a nível social e económico?

  • Qual o acompanhamento desse Ministério desta situação?
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Assim, e ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, venho requerer através de V. Exa., ao Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, resposta às seguintes perguntas:
- Concorda esse Ministério com a solução apresentada e a viabilização de apenas 150 postos de trabalho?
- Entende esse Ministério que estes postos de trabalho não são viáveis e daí a sua inacção perante a destruição de cerca de 800 postos de trabalho, com as graves consequências que tal acarreta?

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