22 dezembro, 2010

Natal à mão armada

imagepor Vítor Hugo Carmo

Quase vomito só de pensar que há pessoas que vão abastecer o automóvel como se fossem passear num shopping. A pressa faz parte da minha vida quando trabalho pá. Tem que ser tudo para ontem, quando não é para anteontem. O tempo foge-me, tás a ver? Não é que eu o persiga, simplesmente ele sabe que não me pode dar tudo o que eu quero e eu continuo a acreditar que isso é possível. E estou eu aqui, na fila de um posto de abastecimento a observar o gajo que está a pagar.
Não estou num posto qualquer. Estou num da BP. Foda-se, só a puta da sigla já me dá vontade de dizer PC, como… PRÓ CARALHO! E sabes porquê? Por causa da merda dos cartões de pontos. Os morcões dos empregados perguntam sempre com aquele sorriso de merda: “Tem cartão de pontos?” Cartão o caralho pá. Um gajo vai a um posto de abastecimento a meio tarde para quê? Ver umas calças de ganga, um aspirador, um relógio, o último disco da Madonna? Claro que não. Alguém que faça uma sondagem. É verdade que há muita gente no nosso riquinho País a coçar-se. Tanto coçam que até sangram, mas a meio da tarde? Num posto de abastecimento? Não, meu. Estou a trabalhar, a abastecer para continuar o meu trabalho. E sabes porque estou nervoso, quase a espumar-me? Porque está um gajo a pagar, que já disse que não tem cartão de pontos, e o boi do empregado a fazer uma demonstração dos produtos como se estivesse na TV SHOP. PRÓ CARALHO pá! Despacha-te com essa merda!

Mas o que realmente me enerva é o que eu te vou contar a seguir. O gajo que vai pagar deixou cair uma nota de cinco euros. Tinha o dinheiro certinho, mas a nota foge-lhe das mãos sem que se aperceba. Mesmo atrás dele está uma cabra do caralho que pisa a nota e não diz nada. A gaja quer nitidamente ficar com aquela nota que vai representar mais um pequeno atraso para mim. 

- São 20 euros – diz o empregado da BP. 

- Aqui está – diz o homem que levou com a injecção dos produtos do cartão de pontos. 

- Faltam cinco euros – repara o empregado. 

Faltam cinco euros o caralho. Tou a topar a onda da gaja. Dou três passos em frente, baixo-me e tiro-lhe a nota presa pela ponta do pé direito. A vontade que me deu era a de lhe fazer uma entrada a pés juntos, tás a ver? Como aquelas entradas que o Paulinho Santos do FC Porto fazia. Até podia vir o árbitro para mostrar cartão amarelo meu. Colocava as mãos cruzadas atrás das costas e dizia. Eu? Eu não fiz nada sôr árbitro! A verdade é que também não tinha espaço para uma entrada dessas ali no posto. Ergui a cabeça, entreguei a nota ao empregado e disse: 

- Acho que o senhor deixou cair isto. 

A puta ao meu lado corou. Foda-se, eu tenho mais que fazer pá. Tenho uma vida, tenho um trabalho. Mas sabes… ainda não me estou a espumar, porque a gaja vai conseguir pôr-me fora de mim. 

- A seguir – diz o gajo da TV SHOP. 

- Olhe, queria pagar, mas queria saber se têm um produto do cartão de pontos – pede a gaja vestida de casaco de pele, nova-rica, de BMW estacionado lá fora e que passa a imagem de não precisar dos produtos de cartão de pontos. Mas precisa. Foda-se pá! 

- E o que era? 

- Queria o secador de cabelo. Tem? 

- Tenho sim. Mas preciso de ir ali ao escritório. 

Tá uma fila do caralho para pagar. São quatro horas da tarde e esta merda não anda para a frente. Pior do que isso: estamos a brincar às bonecas e só está um boi a atender os clientes. PRÓ CARALHO pá.
Ao fim de três minutos, três preciosos minutos num dia de trabalho e o gajo chega com a caixa do secador de cabelo. 

- Ora aqui está. A senhora deseja um saquinho? – pergunta o empregado. 

- Dava-me jeito. 

Dava-te jeito era que eu te desse com um gato morto nas trombas até o filho da puta miar, CARALHO. Isso é que era. Mais dois minutos até o gajo encontrar o saco e a gaja paga. ALELUIA!!! A pindérica passa por mim a olhar de lado e de nariz empinado e eu penso: “Te Foda puta!”. É a minha vez de ser atendido. Era… porque entra o Pai Natal na loja. Sim meu, o Pai Natal. Foda-se, só se for para levar a gaja num saco e deixá-la numa ilha de canibais. Isso é que era! 

- Olha o Pai Natal. Veio abastecer o trenó ou dar de beber às renas? – perguntou o anormal da TV SHOP que tem a mania que é engraçado. 

- Pai Natal o CARALHO!!! Passa mas é para cá o dinheiro que tens aí. Já filho da puta! – enquanto ameaçava o empregado com um bafo a Whisky, o Pai Natal tinha uma shotgun encoberta pelo saco apontada ao gajo, tás a ver? Era o presente que podia rebentar-nos a mioleira. 

E eu estou aqui, mesmo em frente ao balcão, com medo de não viver mais um Natal, meu. Tudo por causa da nota de cinco euros, tudo por causa daquela puta. Foda-se! Ai a minha vida. 

- Quero o dinheiro já caralho – o Pai Natal tá com mais pressa do que eu. 

- Aqui está. 

E foi-se. O Pai Natal foi-se, sem tentativas de retaliação. E depois desse filme esperei algum tempo e disse ao gajo para chamar a polícia. Devia era dizer-lhe para meter o cartão de pontos no cú, pelo tempo que me fez perder e que não evitou este cagaço. Mas espera. Isto ainda não acabou. 

Tou a sair da loja e vejo o filho da puta do Pai Natal a dar ao kick numa Zundap Famel. A mota não pega pá. O gajo olha por cima do ombro, levanta o cú da mota, ergue a shotgun e diz com aquele bafo de whisky:
- Dá-me as chaves do teu carro filho da puta – agora era mesmo a sério. Agora era eu que estava metido ao barulho, mas limitei-me a abrir a boca de espanto a cinco metros do gajo, como se fosse receber uma bojarda pela boca. E sabes por que estou de boca aberta? É com medo pelo gajo, não do gajo. 

Aquela besta de que te falava há pouco, lembras-te? Deve ter estado a brincar com o secador de cabelo, demorou um pouco mais de tempo e, para sorte minha, arrancou no BMW quando o gajo levantou o cú da mota. A gaja ainda se baixou sobre o banco do condutor, onde se sentava apenas um secador, para ver se estava tudo no sítio. E estava meu, mas a gaja não viu. A cabra varreu o Pai Natal e a Zundap Famel. E eu ali… de boca aberta. 

Sabes o que te digo… dá tempo ao tempo meu, ele acabará por ser teu amigo. E deixa de acreditar no Pai Natal… o gajo anda metido no Whisky.

9 comentários:

Anónimo disse...

Toma um calmante e aprende a respeitar os outros.

Anónimo disse...

ahahahahahahah

Vítor Hugo Carmo

Anónimo disse...

;) não leves mal. desculpa lá ter faltado ao respeitado. É que não sabia que tu não sabias qual é a diferença entre realidade e ficção.

VHC

Anónimo disse...

ouve lá, vais ganhar respeito pelas pessoas ou tenho que te malhar , ja sei quem tu és e pode ser que um dia destes te vá a cara!
vê lá se deixas de ofender as pessoas!!!!

Anónimo disse...

Este fulano julga-se jornalista?porra, por isso nunca sairá da terrinha da Feira, onde arranjou um tachito a escrever no jornal regional...Só para chamar a atenção...

LX-ENSE disse...

e quando chegar a Páscoa??? qual é o conto??? por muita ficção não consigo imaginar o coelhinho de shotgun....

imagino-o no ikea ao saltitos...

bem... achei que exagerou nos palavrões.... quero acreditar na sua capacidade jocosa inteligente e insinuosa e não gratuita como o fez... acho que tem de continuar a TRABALHAR....

trabalhar é mesmo a sua cena...VIVA o trabalho!!!!!

Anónimo disse...

ahahaha. está a saber-me pela vida.

VHC

LX-ENSE disse...

então não engula...........................................................................Saboreie...

Anónimo disse...

Caro VHC:
Acho que ofendeu o Pai Natal e um sr. que se identifica com a senhora loira do BMW e que o mandou trabalhar. Por favor, no conto da pascoa veja se o coelhinho acerta mesmo em alguém.
MN