Não sei se me reconheceram. À casa sim e não lhes vi GPS. Ainda antes de entrarem, presentearam-me com um espectáculo de acrobacias aéreas só ao alcance de grandes artistas circenses. Como elas.
Eram tais as caligrafias que escreviam no ar que, acreditem ou não, parece-me ter visto escrito no céu: CHEGAMOS.
Chegaram e não aparentavam grande cansaço e sempre eram uns bons oito mil quilómetros que traziam nas asas. Davam voltas e mais voltas, piruetas sem fim. Voos picados de arrepiar. Mais voos rasantes em velocidade vertiginosa. Loopings soberbos, que só de ver, me faziam náuseas. Enfim, voavam mais do que o que tinham voado, numa actuação só para mim.
Perante isto que me dão, sinto que é pouco o que lhes ofereço: cama e roupa lavada. É o que tenho, já que para se alimentarem, preferem picnicar.
Mas não há bela sem senão e estas amigas ou são surdas ou não me entendem. Das duas, três. Ou então não querem saber.
Todos os anos e este já é o quarto consecutivo que me farto de avisa-las: mantenham os aposentos limpos e asseados, tal como os receberam. Debalde. É também de balde e esfregona que reparo os estragos provocados pelos seus grafites, deixados por todo o lado na minha garagem.
Já que não respeitam a propriedade privada, podiam ao menos respeitar quem tanto lhes quer bem.
São ingratas estas minhas andorinhas, que chegaram agora.
1 comentário:
Vi o Jaguar tão borrado que estive para escrever "Lava-me porco". Afinal estás perdoado.
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