28 março, 2011

Chegaram. Sejam bem-vindas

image O ano passado por esta altura, mais dia, menos dia, estive aqui a anunciar a sua chegada. Voltei. Elas também voltaram.

Não sei se me reconheceram. À casa sim e não lhes vi GPS. Ainda antes de entrarem, presentearam-me com um espectáculo de acrobacias aéreas só ao alcance de grandes artistas circenses. Como elas.

Eram tais as caligrafias que escreviam no ar que, acreditem ou não, parece-me ter visto escrito no céu: CHEGAMOS.

Chegaram e não aparentavam grande cansaço e sempre eram uns bons oito mil quilómetros que traziam nas asas. Davam voltas e mais voltas, piruetas sem fim. Voos picados de arrepiar. Mais voos rasantes em velocidade vertiginosa. Loopings soberbos, que só de ver, me faziam náuseas. Enfim, voavam mais do que o que tinham voado, numa actuação só para mim.

Perante isto que me dão, sinto que é pouco o que lhes ofereço: cama e roupa lavada. É o que tenho, já que para se alimentarem, preferem picnicar.

Mas não há bela sem senão e estas amigas ou são surdas ou não me entendem. Das duas, três. Ou então não querem saber.

Todos os anos e este já é o quarto consecutivo que me farto de avisa-las: mantenham os aposentos limpos e asseados, tal como os receberam. Debalde. É também de balde e esfregona que reparo os estragos provocados pelos seus grafites, deixados por todo o lado na minha garagem.

Já que não respeitam a propriedade privada, podiam ao menos respeitar quem tanto lhes quer bem.

São ingratas estas minhas andorinhas, que chegaram agora.

1 comentário:

Zé Nando disse...

Vi o Jaguar tão borrado que estive para escrever "Lava-me porco". Afinal estás perdoado.