Na face do caderno P2 do jornal Público de hoje, vinha escarrapachada a seguinte pergunta: “o segredo da felicidade está nas notícias positivas?”
Eu, nem li mais, porque a resposta vinha por certo nas páginas interiores. Dei eu próprio a resposta, a minha. Sim e fundamento.
Então não é que ontem, dia em que homenageamos os nossos defuntos, - até foi em pleno cemitério que ma deram, soube da noticia que a nova Junta de Freguesia de Canedo se prepara para homenagear, em cerimónia a programar, o saudoso Prof. Sousa Alves, um dos mais ilustres canedenses e que já nos deixou há muito tempo. Faleceu no dia 17 de Maio de 1998. Está justificada a minha resposta positiva à pergunta do P2.
Deixou-nos há treze anos, mas muitos dos seus amigos nunca deixaram de falar em que lhe era devida uma homenagem. Merecia-a e a freguesia, devia-lha. Achavam que devia ser a Junta de Freguesia a encabeça-la. Embora sempre concordassem, por isto ou por aquilo, nunca a fizeram.
Para os que nunca conheceram, quem era o Prof. De Carvoeiro?
Era também assim chamado, porque foi nesse lugar que nasceu em 17 de Novembro de 1912. E esta data, principalmente o ano o que nos diz? Isso mesmo, passa-se o centenário do seu nascimento. Ora esta efeméride é mais um motivo para a homenagem.
A sua vida foi transversalmente atravessada pelo ensino. Foi toda a vida professor primário. Começou por ensinar as primeiras letras em Montemor-o-Novo. Do Alentejo veio para a sua Vila da Feira. Depois deste regresso à terra, foi mesmo a vinda para a porta de casa, o passo seguinte. Nem que para isso tivesse que construir uma escola. Bem, não foi para a sua porta, porque, já levou em conta a centralidade, mandou-a construir em Mosteirô, servindo também as crianças de Sobreda e Carvoeiro. Oferecendo-a também ao Estado.
Não sei se será caso único. Mas exemplos destes não deverão existir muitos no País.
Esta escola de uma só sala, serviu anos e anos a fio e só foi substituída quando se mostrou exígua para a quantidade de alunos existentes. Foi já no novo edificio escolar que se reformou.
Era um homem de muito saber e igual cultura. Desculpem o chavão mas era o que se chama, “uma enciclopédia aberta”. Alimentava cavaqueiras que duravam uma noite. Eu que o diga.
Passou pela politica elencando uma Junta de Freguesia que, e logo ele que era um conservador, revolucionou para o tempo. Lembro que na altura as “Juntas” quase se limitavam à passagem de atestados. Pois esta deixou obra que, ainda hoje é marcante para a freguesia.
Mas a justa homenagem de que finalmente vai ser alvo é principalmente merecida pelo seu alto sentido de altruísmo, de que sempre deu mostras.
Atente-se então. Em Mosteirô deu terreno para que se construíssem dezenas de casas. Sem esta dádiva, quantos daqueles que lá moram teriam casa hoje? O local ficou conhecido pelo bairro do Prof. Sousa Alves e é atravessado por uma rua com o mesmo nome. O mesmo vai voltar à toponímia, com um dos novos acessos à A32, o que liga as rotundas da Alameda Alfredo Henriques ao Mirante a ser baptizado com o nome do senhor professor.
Em Sobreda, no Giestal, doou terreno à Junta de Freguesia que os serviços camarários lotearam já com projectos de habitações aprovados para serem oferecidos aos mais carenciados.
A homenagem peca por tardia mas, como diz o povo, “mais vale tarde do que nunca”.
8 comentários:
Diga se souber o dia da homenagem. Quero estar presente.
Parabéns à junta por esta iniciativa! Justíssima homenagem!
Obrigado Professor!
Não há dinheiro mas estes detalhes deixam a marca de uma junta. Continuem.
ouvi falar na pessoa mas nao cheguei a conhecer infelizmente pelo que me dá a entender.
assim como a lotermento no giestal , tambem nao conheço.
Parabens ao Pinto pela Ideia e iniciativa e já agora mudem a placa da av. Alf . Henriques, por ser um malfeitor para a vila de Canedo e pelo que sei nem é muito legal colocar o nome de vivos em nomes de ruas.
Sim senhor o s. Pinto foi um dos que nunca se calou à injustiça e tanto o velho PSD como o PS da oposição, conheciam-na e nunca mecheram uma palheira para a reparar.
Era amigo do professor? Não aprendeu nada com ele, pois ele não escreveria mecheram. Dava-lhe um puxão de orelhas e dizia-lhe que era mexeram a maneira correcta.
Muito embora as andem a roubar por aí, este homem merecía uma estátua.
Não sou de Canedo maso meu falecido Pai era amigo e sempre me falou muito dele. Quando passava cá por casa ficavam horas interminaveis a conversar a ponto de se esquecerem de ir comer. Publicitem a data da homenagem e o centenário do seu nascimento é um bom pretexto.
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