08 março, 2012

Um(a) “rosa” com espinhos!

image O Ex-deputado Socialista, Dr. Vítor Fontes, não parece estar com meias palavras para descrever o actual “estado da nação socialista feirense”! 

(apenas transcrevo as respostas dadas pelo nosso estimado “Ex-deputado da nação” a um pequeno questionário publicado pelo “Terras da Feira”)
 
“ Apesar de alguns arrufos políticos circunstanciais, o PS/Feira vive ainda num estado de letargia.O partido tem vivido e, em grande medida, ainda vive exclusivamente virado para si próprio. É, na perspectiva do concelho, tido e reconhecido como um partido fechado a meia dúzia de pessoas.

O partido e as suas secções , salvo raras e honrosas excepções, não desenvolvem qualquer tipo de trabalho político útil e válido. Na prática, mais não constituem, que não meros sindicatos de voto. Neste sentido temos um partido pouco atractivo, porque adiado e alheado dos reais problemas do concelho. 

A imagem que o partido transmite para o exterior é a de um partido exitante, inconstante, incoerente, que não sabe verdadeiramente o que quer para o Concelho. Assim,o actual problema do partido é de liderança e também de aparelho. Assenta num modelo organizativo fechado sobre si próprio. Os mesmos são sempre os mesmos. A maioria das pessoas que querem apoiar e colaborar com, uma vez mais,  o PS não encontra modo de nele intervir. Na maioria das sedes, o debate democrático é escasso ou inexistente. As estruturas partidárias gastam demasiado a discutir pessoas e lugares, em vez de debater ideias e propostas. Quem se atreve a discordar é muitas vezes maltratado.  

A imagem que damos é, na maior parte dos casos, a de um partido que só se mobiliza para elaborar listas ou para travar ferozes combates pelo poder interno. 

Um partido assim, se não arrepiar caminho, afasta-se cada vez mais do seu eleitorado tradicional e não conquista novo eleitorado. 

Para tanto, temos de ter a coragem política de abrir o partido à sociedade, em particular aos seu sectores mais dinámicos. Só assim o partido se credibilizará e crescerá. 

De uma vez por todas, o PS/Feira não pode continuar a ser prisioneiro da estratégia pessoal dos seus líderes ("petit chefs") que o tem impedido de crescer e abrir-se à sociedade, em particular aos seus sectores intelectualmente mais dinámicos, com o objectivo de não serem postos em causa, não terem de competir politicamente, não terem de enfrentar o debate de ideias que não são capazes de travar e impedirem o surgimento de alternativas internas nas lideranças, essenciais para que o partido apresente alternativas rejuvenecidas e vencedoras nas várias disputas eleitorarais. 

Este é também o grande desafio que também se coloca a todos os militantes na eleição da próxima Comissão Política Concelhia liderante do processo atinente às eleições autárquicas/2013.  

Entendo vantajoso para o partido que o futuro presidente da Comissão Política Concelhia não seja candidato à Câmara e seja intransigente na defesa da unidade do nosso Concelho. 

O poder de decidir candidaturas não pode estar quase exclusivamente na mão de quem já é candidato. Como é sabido, hoje é frequente que aqueles que detem lugares nas estruturas intermédias se proponham a si próprios, fechando cada vez mais o partido para fora e conduzindo ao domínio do partido pelo aparelho e da reprodução deste por si mesmo.  

Reputo necessário repensar de alto a baixo o processo de selecção de candidatos, nomeadamente às autárquicas. Tem de haver forma de qualquer militante ou simpatizante poder fazer chegar às estruturas partidárias propostas de candidatura, suportadas por currículos pessoais e cívicos. Porque não formarem-se comités eleitorais, ou, em versão mais actualizada, laboratórios de ideias, incluindo pessoas não pertencentes a nenhum órgão partidário, para apreciar tais currículos? Se as candidaturas fossem por currículo e mérito, e não por fidelidades internas, como são hoje, decerto se promoveria uma renovação e refrescamento imprescindíveis na nossa vida política. 

É um proposta utópica e deve aplicar-se a todos os partidos e não apenas ao PS? Respondo que a responsabilidade histórica está hoje do lado do PS. Ou se abre e muda, contribuindo para uma maior participação cívica e um maior reconhecimento dos cidadãos quanto aos seus valores e propostas, ou perde a oportunidade única que tem pela frente- as eleições autárquicas de 2013. Nesta perspectiva, é fundamental que o PS promova desde já uma profunda reflexão interna com vista a mudar as suas regras e comportamentos. É tempo de falar mais ás pessoas do que às estruturas. É tempo de ouvir críticas, sugestões, propostas de mudança. É tempo de cortar o nó górdio que asfixia a vida partidária e pode contaminar a própria democracia. 

Afigura-se-me, no mínimo, contraditório que, por um lado, se defenda uma figura nacional para encabeçar a candidatura do PS à Câmara e, por outro lado, se apoie um candidato à Comissão Política Concelhia cuja incontida ambição pessoal é publica e notória e tudo fará para ser, novamente, candidato à Câmara. 

Acresce ainda perguntar: o que é uma figura nacional? . Essa figura nacional será militante ou independente? 

Constata-se, mais uma vez, que o PS/Feira não aprendeu nada com as sucessivas derrotas eleitorais autárquicas e, mais recentemente, nas legislativas.  

Revela-se incapaz de comprender os erros do passado e transformá-los em experiência para o futuro.
Por isso, à puridade, aqui deixo para reflexão, um pensamento de Albert Einstein: 

" FALTA DE SENSO POLÍTICO É FAZER A MESMA COISA VÁRIAS VEZES E ESPERAR OBTER UM RESULTADO DIFERENTE" 

Vítor Fontes

4 comentários:

Anónimo disse...

Por estas e por muitas outras é que o meu Pai (militante desde 1975) mandou e muitíssimo bem, o PS/Feira para as urtigas isto logo em inícios dos anos 80' pasme-se...! O PS/Feira sempre me pareceu comportar-se como uma cambada de "parasitas da sociedade". Se calhar é por isso mesmo que o Sr Presidente Alfredo Henriques se tem "passeado" políticamente em Santa Maria da Feira...! Do PS/Feira apenas admiro António Cardoso, Alcides Branco e pouco mais...

bettencourt disse...

Comentário (I)
...aspectos que tem condicionado a possibilidade do partido poder implementar em tempo "útil" uma estratégia eleitoral adequada às realidades do concelho.Diria até, às novas realidades do concelho.Por outro lado, não me parece que no quadro actual, a prossecução de uma estratégia, ( existente e/ou quando existir ) seja capaz de poder afirmar o Partido como uma alternativa forte e credível com vista às próximas eleições Autárquicas. É certo que qualquer que seja o rumo político que venha a ser traçado, deverá ter em linha de conta não só um correcto diagnóstico dos principais problemas que assolam o concelho, mas sobretudo deverá apresentar propostas de resolução que sejam exequíveis e que estejam devidamente calendarizadas.
Estou certo de que La Palisse não diria melhor se considerarmos que no essencial isto é o que todos os partidos fazem, submetendo a sufrágio ao longo dos sucessivos actos eleitorais, as suas propostas, sempre em estreita articulação com os problemas identificados.
Há no entanto uma fasquia de exigência política que se tem vindo a elevar cada vez mais e que não se compadece com lapalissadas i.é., já não é suficiente para a afirmação de um projecto de governação autárquica o recurso a este formato que no fundo consiste em estruturar um programa político a partir do binómio problema(s) vs solução(ões). Importa pois salientar a necessidade de introduzir e fazer coexistir com o aludido modelo, uma linha condutora que observe com particular atenção os pequenos detalhes. Aqueles que na maior parte das vezes nos parecem insignificantes mas que na prática podem fazer toda a diferença. Desde logo, a escolha “atempada” do líder é um dos critérios que se afigura fundamental até mesmo pelo imperativo de este ( o líder ) ter de executar “trabalho de campo” que é coisa que de resto, no caso do PS/Feira já deveria estar em curso.
Assim, aceitamos com razoabilidade que, por exemplo, um(a) futuro(a) candidato(a) já deveria estar profundamente familiarizado com a realidade de todas as forças vivas do concelho sejam elas de cariz associativo, cultural, ou de qualquer outro cariz, criando-se assim, com estes agentes, condições empáticas no sentido da difusão do projecto político. Não repugna pois admitir que a este respeito o PSD/Feira tenha anos de avanço em relação ao PS/Feira. Consequência directa da confortável maioria que lhes tem assistido na governação da Câmara e que por esse facto lhes tem permitido estar informalmente, (formalmente não estão), em contínua campanha eleitoral. Veja-se a título de exemplo os reforços orçamentais propostos pela Câmara (PSD) para a freguesia de Romariz (PSD) apenas para citar um de entre muitos episódios recentes. Nesse sentido, a elaboração de um programa assertivo, consistente e exequível que seja capaz de mobilizar a população feirense implica necessariamente a existência de uma personalidade política ( e não tem de ser de dimensão nacional ) que se reveja nesse mesmo programa e que o saiba “difundir” (repito) em tempo útil junto da população.
Assim sendo, trata-se pois de saber quem é que no seio do PS/Feira estará mais bem posicionado para conseguir capitalizar «a simpatia» dos diferentes agentes que constituem todo o tecido económico e social do concelho (eleitores) e sendo implicitamente (pelas razões expostas), capaz de saber converter essa simpatia em votos.
No fundo é disso que se trata.

bettencourt disse...

Comentário (II)

...Ora, António Cardoso tem surgido em várias ocasiões como um dos nomes prováveis para assumir em nome do PS esse desígnio. Também Strecht Monteiro ( a avaliar pelas “farpas” que vai lançando para dentro do partido ), tem demonstrado disponibilidade para se poder perfilar como candidato.
Não está aqui em causa a “estatura” política quer de um quer de outro mas em boa verdade, não se pode deixar de dizer que ambos já tiveram a “sua” oportunidade de liderar projectos políticos, tendo nessas ocasiões obtido os “amargos” resultados que são do conhecimento de todos nós. Não se pretende com esta observação retirar o mérito a ninguém. Estou certo de que em cada um desses combates políticos, quer um, quer outro, deram o melhor de si mesmos. O facto indesmentível é que, e lamentavelmente para o partido, não se pode afirmar com total convicção que esses foram projectos ganhadores.Talvez seja mais correcto dizer-se "parcialmente" ganhadores.
Perguntemo-nos pois e em consciência, porque é que agora haveria de ser diferente?
Na realidade, sou um bocadinho avesso aos “eternos” candidatos, sobretudo quando ( para quem sabe ler nas entrelinhas ) isso poderá querer significar, (ainda que remotamente), “perpétuas” derrotas, ou se preferirem "vitórias parciais".
Talvez seja bom refletir profundamente nas palavras de Vitor Fontes.
Sou de opinião que a vereadora Margarida Gariso é actualmente a personalidade política do PS com melhores condições para poder vir a liderar o PS/Feira ( assim o entenda ela ).
Os argumentos que sustentam esta opinião são mais do que muitos e a sua enunciação implicaria uma abordagem diferente da que se pretende com este comentário.
Fica no entanto a sugestão.

bettencourt

bettencourt

Anónimo disse...

Nada é de admirar....chega a altura das eleições e aparecem logo os filhos das pessoas influentes do concelho e da cidade da feira para ver se é desta que arranjam tacho na sede da Bilha...Andam de porta em porta e ouve-se,ólha é o filho e a filha de fulano... Acabou o curso á pouco...Como é possivél haver um partido á tantos anos e nunca ninguem se afirmou...."guerrilhas de poder"