17 julho, 2012

A Academia de Sodoma

clip_image001Por Bettencourt

Não há forma de justificar todo este frenesim de notícias insufladas com que os senhores da comunicação social nos matraqueiam todos os dias a propósito do percurso académico dos nossos políticos doutores. 
 
Na verdade e enquanto implodem diante dos nossos olhos alguns dos valores sociais mais básicos, esta não-questão, tem sido demasiadamente sobrevalorizada.

É claro que os mesmos rançosos de sempre, veem neste assunto mais um espaço público de realização intelectual tendo-se apressado desde o primeiro instante, com aquele fingimento típico dos ateus no momento em que abocanham a hóstia, a dissertar zelosamente nos fóruns políticos mais mediáticos sobre os contornos e as implicações desta importante problemática, como aconteceu recentemente com Marques Mendes ao discernir sobre o “arrelvamento” do ensino superior no contexto da dívida soberana portuguesa. Não me atrevo a contestar tão doutas análises nem este é sequer o tema do “post”.
 
Na realidade já todos sabíamos que estes novos doutores e engenheiros que agora pululam pelos mais variados cargos da governação, já haviam feito, ainda antes de possuírem o canudo universitário, exames “AD-HOC” na célebre Academia de Sodoma, tendo todos eles passado com distinção em todas as cadeiras nucleares. 
 
Intuitivamente reconhecemos que a frequência desta Academia é absolutamente essencial para qualquer candidato a político porquanto tem sido a única instituição de ensino que ao longo dos últimos anos vem habilitando convenientemente os seus instruendos na gestão da coisa pública. Mais ainda do que qualquer outra Faculdade de reconhecido valor no atual panorama do ensino superior.
Consideramos por isso como natural que a implementação de certas medidas de Austeridade na medida em que são a expressão de uma prática política determinada de inspiração Sodomita, há-de, por via da vaselinização da sociedade em geral, afirmar-se sobre qualquer crença ideológica e/ou partidária. 
 
Apesar dos meus parcos conhecimentos e de não ter nenhuma licenciatura não posso deixar de dar aqui uma sugestão a estes habilidosos do sistema ( os que são propensos a vaselinizar os outros ) para que, sempre que quiserem reclamar aos rascunhos da Lei um qualquer grau académico, daqueles que se medem em créditos de vida, tenham pelo menos a decência de optar por um curso que privilegie o ensino de “Ética Política”. 
 
Mesmo reconhecendo que a aprendizagem desta matéria não ser “per si”, uma condição necessária e suficiente para nos garantir dirigentes políticos profissionalmente recomendáveis, será pelo menos o tipo de curso mais apropriado para que se possa fintar com alguma subtileza a ignorância. Permitam-me o aparte, imaginem o que seria ministrar um curso de Ética Política com alguns docentes recrutados em algumas das autarquias do concelho de Santa Maria da Feira.
 
Adiante.
 
Tenha sido a Licenciatura do Relvas esgalhada (ou não) com base numa discutível escala de equivalências legalmente forjadas pelo compadrio e pela circunstância, o que pretendo evidenciar aqui, são duas ideias que me parecem importantes assinalar. 
 
A primeira é a de que a incompetência politica não está necessariamente dependente da competência universitária. Do mesmo modo, também a competência política não implica que o sujeito, seja possuidor de um lustroso curriculum académico. Isto parece-me evidente, havendo inclusivamente inúmeras provas que sustentam este ponto de vista.
 
A segunda ideia e tendo em conta o precedente (?) aberto pela Lusófona e que despoletou toda esta celeuma, é a de que passa a ser legítimo estabelecer-se uma correspondência biunívoca entre créditos e habilitações escolares de tal maneira que o principio concetual não fique apenas circunscrito ao âmbito universitário. 
 
Dito de outra forma, o necessário reconhecimento por parte da tutela de que, para os efeitos que forem julgados oportunos “algumas” quartas classes poderão corresponder (de acordo com essa tabela) ao segundo ano de Agronomia de uma qualquer Faculdade de Belas Artes. 
 
Confuso? O Reitor da Lusófona explica isto melhor do que eu.
 
Seja como for e apesar de todas estas modernices, a aquisição de Conhecimento não beneficia por impossibilidade teórica do conceito Take-away. Por isso meus caros, não se surpreendam se no próximo Orçamento Geral do Estado os nossos instruídos políticos incluírem numa das muitas rubricas de dotação orçamental, nomeadamente a que diz respeito às transferências para as Autarquias, uma referência ao Bosão de Higgs, alegando que a escassez de “massa” se deve sobretudo à escassez de Bosões sendo o principal responsável por isso a besta do Sr Higgs. E os mercados, claro.
Entretanto e enquanto se vão imprimindo novos catálogos de culpas pelo estado caótico a que chegamos, a minha recomendação vai no sentido de não se deixarem vaselinizar.
 
(É por isso que o cérebro é uma coisa maravilhosa. Eu acho que todos os políticos deviam ter um).
 
Até Já

12 comentários:

Paulo Pinto disse...

O precedente não foi aberto pela Lusófona. Foi aberto pela Independente;)

Emanuel Bettencourt disse...

Caro Paulo Pinto
...embora perceba o embaraço que esta situação está a causar às hostes sociais democratas, de resto Nuno Crato anunciou hoje uma investigação à licenciatura de José Relvas, não me parece que possamos desculpabilizar este lamentável episódio recorrendo a qualquer tipo de paralelismos. Até mesmo por uma questão de honestidade para com nós próprios.
Vejamos,
Se por um lado a Universidade Independente no passado negligenciou procedimentos que beneficiaram o Eng Sócrates,isso está obviamente errado e como tal devem ser tomadas medidas que corrijam o erro, independentemente das consequências políticas que daí possam advir.
Da mesma forma entendo que a Lusófona terá de explicar ( suponho que primeiramente o irá fazer aos seus alunos) quais são à luz da lei, os requisitos necessários para que também eles possam tirar uma licenciatura do tipo "flash Grass" poupando-lhes assim e entre outras coisas a maçada de ter de estudar e/ou de ter de pagar "muitas" propinas.
Em todo o caso e respondendo ao seu comentário, o precedente a que me refiro, não tem tanto a ver com o facilitismo promíscuo que envolve Universidades e Políticos, mas sim com a lógica de créditos e equivalências que a Lusófona introduziu no processo académico de José Relvas.
De resto parece-nos razoável pensarmos que através deste expediente ( créditos vs equivalências )à fortes possibilidades de Relvas ainda poder vir a ser distinguido com o "Honoris Causa". E quem diz Relvas diz por exemplo qualquer outro autarca de segunda linha que aspire ao Olimpo do Conhecimento sem o esforço do Conhecimento.( não sei se reparou mas neste ponto contive-me para não lhe dar uma alfinetada nas suas convicções ideológicas ao referir autarcas de segunda linha)
Em resumo,meu caro amigo, a questão não pode ser vista numa perspectiva clubística do tipo PS-1 (golo de Sócrates) PSD- 1(golo de Relvas).
Na verdade e enquanto não começarmos a ser mais exigentes connosco próprios (para a seguir podermos ser exigentes com os outros), este forrobodó há-de continuar. Quiçá mesmo e a avaliar pela natureza do seu comentário, com o continuado e condescendente beneplácito dos muitos Paulos Pintos deste mísero país. Com o devido respeito, é claro.
O problema não tem nada de ideológico, mas sim de ética, ou de falta dela.

Sempre a considerá-lo,

bettencourt

Paulo Pinto disse...

Meu caro, se tem lido o que eu aqui vou escrevendo, (e pelo que disse duvido que tenha), pode perceber o toque humorístico que tinha o meu comentário. Era uma pequena alfinetada aos muitos que se queixam das equivalências (que de facto não o são) mas nunca se queixaram das licenciaturas "Independentes" que caíram do céu, sem equivalências ou créditos ou até reconhecimento de competências.
Se há coisa que nunca defenderei é o facilitismo que se instalou neste país de há uns anos para cá. Não só defendo esta avaliação à Lusófona como (e já o disse aqui) a todas as universidades privadas. Logo o "condescendente beneplácito" que me atribui não faz qualquer sentido. Sempre fui um crítico das Novas Oportunidades e dos cursos onde meia dúzia de composições dão o 12º ano, sempre fui crítico das progressões na carreira sem qualquer espécie de avaliação, sou um crítico dos sindicalistas professores que têm Bom na avaliação devido aos artigos de jornal que escreveram ou intervenções públicas que fizeram. Não aceito que uns estudem 12 ou 15 ou 20 anos para ter algo que outros conseguem em 2 ou 3. (Que diria o TC desta desigualdade?). Não aceito que no privado sejamos avaliados todos os dias pelo nosso patrão e o público estrebuche de cada vez que se quer implementar uma avaliação.
A forma legal como Relvas conseguiu o curso ou a forma ilegal como Sócrates conseguiu o mesmo é um insulto a quem se esforçou a estudar quase duas décadas. Disso não há dúvidas. Culpar o jogador ou culpar o jogo? Isso vai com cada um. Marcelo Rebelo de Sousa preferiu culpar o jogo, por exemplo. Eu atribuo culpas aos dois lados.
Mas folgo em ver a esquerda a pedir exigência. É um sinal de afastamento dos 10 anos de Sócrates. Cumprimentos.

Emanuel Bettencourt disse...

Caro Paulo Pinto,

Claro que percebi o toque humorístico do seu comentário, de resto está devidamente assinalado com ponto, vírgula e parêntesis que é como toda a gente sabe a forma abreviada de dizermos aos outros que estamos “…bem dispostos”.
Resulta da leitura do seu comentário/resposta que no essencial estamos de acordo.
A manigância, tenha a forma que tiver e venha de onde vier deve ser prontamente condenada sem nenhum apelo e preferencialmente com muito agravo.
Não é no entanto verdade que não tenha lido o que por aqui vai escrevendo. Saiba que sou apreciador de comentários inteligentes, fundamentados e preferencialmente bem dispostos. Apesar de sintética, a sua referência subliminar à “Independente” reúne todos esses predicados.
Importa no entanto esclarecer que neste caso particular do ministro Relvas, o “beneplácito” só se torna “condescendente” quando deliberadamente, seja por estratégia política ou por outra razão qualquer, prescindimos de emitir a nossa opinião, condescendendo assim por omissão de atos e/ou palavras com a imoralidade do ato.
Confesso que a este respeito e até hoje, ainda não lhe tinha lido nada que fosse, ...digamos que,…contundente.
Termino esta intervenção dizendo-lhe que também eu folgo em que folgue com a necessidade de exigência. Ao fazê-lo é sinal de que vê com bons olhos a urgência em aparar, por via da ação política, esta “graminha” rasteira que ardilosamente se vai instalando no roseiral da nossa existência. Nesse sentido, espero poder vê-lo neste mesmo fórum a reclamar do jardineiro-mor a demissão do ministro Relvas. Quanto mais não seja por uma questão de coerência.
E porque estamos a falar do jardineiro-mor convém não esquecer que afinal de contas, "as arberes semos nozes"

Abraço :-)

Paulo Pinto disse...

Pedir a demissão do ministro com base na imoralidade do ato?
Meu caro, tendo em conta o forróbódó de "imoralidades" dos últimos 10 anos de Governação e o respetivo silêncio da ala socialista, este é um clássico caso de "olha ao que eu digo, mas não olhes ao que eu faço" e do tão típico no Tó Zé Seguro, "vou exigir aos outros aquilo que nunca exigi aos meus". Fui suficientemente contundente?

Emanuel Bettencourt disse...

...diria que...de uma contundência morna.
Na verdade é "arrepiante" poder-se pensar em pedir a demissão de um qualquer ministro tendo apenas por base a imoralidade dos seus atos.(esta não lembraria nem ao Diabo)
Afinal de contas isto da Lusófona não é nada quando comparado com os "cornos" que o ex- ministro Manuel Pinho simulou para a bancada comunista no calor de um debate parlamentar. Ou se preferir um outro exemplo mais eclético, como poderemos nós querer comparar esta "legítima" imoralidade do Relvas (legítima porque sustentada por 10 anos de alegado forrobodó, julgo que socialista porque não lhe vi nenhuma referência ao Isaltino; ao Duarte Lima; ao Dias Loureiro;(...)) com a célebre piada, dizia eu, sobre a reciclagem de alumínio nos hemofílicos Alentejanos com que o Sr. Pimenta como certamente se recordará, pretendeu na altura entreter uma plateia de gente simples e incrédula à coisa de meia dúzia de anos atrás.
Ora meu caro. Francamente.
Permita-me o desabafo, mas suspeito que esta nossa discussão, não lhe esteja a ser muito favorável. Na realidade o que eu esperaria do amigo Paulo Pinto é que pudesse libertar-se por instantes desse seu discurso formatado que opõe a esquerda à direita como se de inimigos figadais se tratassem e que no borbulhar quente da contundência, gritasse bem alto:
- Ó Relvas és um cromo e eu tenho vergonha que faças parte do meu partido. A bem da Nação, demite-te.
Isto sim, seria um exercício pleno de cidadania e um bom exemplo de honestidade intelectual.
Digo eu.
:-)
...sempre a considerá-lo.

Paulo Pinto disse...

Isto anda em círculos. Eu também ia adorar vê-lo a fazer o mesmo sobre Sócrates, Vara, Paulo Campos...mas ambos sabemos que isso não vai acontecer. Paulo Campos ainda lá anda, Sócrates voltará um dia e não vai querer prejudicar agora aquele que será o seu apoio no futuro.
Na verdade esta conversa sobre Relvas está a ser bastante reveladora. Os socialistas não pedem a demissão do ministro da economia nem do ministro das finanças... Talvez porque estão a dar algum crédito a algumas mudanças estruturais que estão a ser feitas. Talvez porque sabem que alguém está a remediar o que fizeram estes anos. Preferem ir ao reboque da imprensa e pedir a demissão do ministro dos "assuntos parlamentares" (essa pasta importantíssima) e ainda por cima num caso exatamente igual onde em tempos defenderam com unhas e dentes o Sr Sócrates. Estas coisas são boas é para vermos a coerência de alguns e até onde pode chegar o jogo político e o aproveitamento das capas dos jornais.
Há uma linha de decência e imoralidade que foi definida por Sócrates e ela define onde um político deve pedir a sua demissão e para um socialista coerente essa linha não pode ainda ter sido atingida ainda. Pouco importa o que eu defendo ou não. Aqui é realmente importante ver quem são os defensores da demissão de Relvas e se defenderam o mesmo para Sócrates noutros tempos. Aqui se apura a coerência dos intervenientes políticos (e claramente eu não sou um deles nem pretendo ser).

Anónimo disse...

Estão aqui dois políticos de se lhe tirar o chapeu.quem tiver pachorra para os aturar,é como vêr uma novela.No meu entender os dois são possuídores de toda a razão.Um fala de politica de há dez anos,outro de não sei quantos.Eu perguntava aos senhores,(tirando o periodo do Estado Novo)qual dos governos republicanos que conseguiu ser pior que o outro?.

Emanuel Bettencourt disse...

Estimado Paulo Pinto, ilustre Anónimo das 11:40 e restantes leitores “pachorrentos”.
Lamento não ter podido responder mais cedo a estes dois últimos comentários mas os meus afazeres não me permitiram. Seja como for e só porque não deixo assuntos a meio, aqui vai.

1 - Parece-me evidente que ao recentrarmos o debate na questão Relvas vs Lusófona, concluímos, como de resto já foi admitido anteriormente pelo Paulo Pinto, que qualquer “ato imoral” quando praticado por um detentor de cargo público (não necessariamente público, como é óbvio) deveria dar lugar a uma qualquer forma de punição.
Ora, como muito bem reconheceu o meu interlocutor numa intervenção feita anteriormente, tendo sido ostensiva a tal prática imoral de José Relvas ao conseguir converter os seus conhecimentos etnográficos e o seu protagonismo político em créditos universitários que lhe haveriam de valer um curso superior, como fazer então para resolver este imbróglio que opõe decência e imoralidade, sem que tenhamos de assobiar novamente para o lado como malfadadamente estamos habituados a fazer?
“Não aceito…” – disse-nos textualmente Paulo Pinto – “…que uns estudem 12 ou 15 ou 20 anos para ter algo que outros conseguem em 2 ou 3”. Repare-se que esta incongruência sai ainda mais reforçada quando Paulo Pinto acrescenta ao seu assertivo raciocínio a seguinte pergunta retórica - “(Que diria o TC desta desigualdade?)”
Ora face ao exposto, não consigo perceber a relutância do Paulo Pinto em assumir publicamente que a demissão do Dr. José Relvas é (deveria ser) uma consequência natural ao despudor manhoso do ministro. Ou isso ou sugerir-lhe que se “deixe” convidar pela ONGOING para fazer parte da sua Administração, e quem diz da ONGOING diz de uma outra qualquer empresa que até pode ser do setor financeiro já que, por saberes de experiência feita, o IEFP definitivamente não quer nada com este tipo de gente.

2 - Estranho a fixação do meu amigo nos 10 anos de governação socialista. Pergunto-lhe:
- E porque não recuar um pouquinho mais no tempo de maneira a podermos abranger também os diferentes e “profícuos” períodos de governação social-democrata? E já agora, seguindo esta linha de raciocínio que o faz esticar convenientemente o eixo cronológico da política, porque não dissertarmos sobre a batalha de Alcácer–Quibir determinando a sua relevância na consolidação do pós-Sebastianismo que, como é intuitivamente evidente, nos haveria de conduzir séculos mais tarde e já num ambiente de transição política, Monárquico-Republicana, aos primeiros e ainda imberbes movimentos socialistas portugueses ?
Repare-se que á medida que vamos recuando ainda mais no tempo, vão-se abrindo inúmeras janelas de reflexão que apesar de intrinsecamente ligadas, ficam cada vez mais distantes do aqui e agora, i.é, do episódio Relvas que nos propusemos analisar inicialmente.
E por muito que esperneie meu caro, no momento isso é o que verdadeiramente conta.
Concordo no entanto consigo quando diz que há uma linha que divide a decência da imoralidade. Mas já não concordo que tenha sido definida por Sócrates ou por qualquer outro personagem. Na verdade essa é a linha que regula as nossas próprias ações.
Conceptualmente, ao sermos coniventes com a imoralidade, deixa de ser apenas o transgressor a pisar essa linha divisória.Modo geral por ingénua simpatia, também nós acabamos por o fazer.
E quando isso acontece, a única possibilidade de redenção que sobra é o esforço inglório ( aquele que noto no tom do seu discurso ) de se tentar tornar decente, a imoralidade.

(continua)

Emanuel Bettencourt disse...

3 – Relativamente à Economia e às Finanças deixe-me reproduzir aqui um pequeno excerto de uma notícia publicada pelo insuspeito “JN” no passado dia 17-7-2012 e que é reveladora do profundo impacto que as reformas estruturais deste governo estão a ter na vida dos portugueses e portuguesas. Diz assim:
Milhares de famílias estão a deixar de ter água canalizada em casa por falta de pagamento. A DECO revela que é cada vez mais contactada para resolver problemas relacionados com o corte do serviço básico.
Há cada vez mais faturas em atraso que separam as águas. As dificuldades económicas dos portugueses estão a levá-los a prescindir, em muitos casos, de bens essenciais, como a água canalizada. Segundo os dados obtidos pelo "Jornal de Notícias", o fechar das torneiras aumentou, mais ou menos consoante as regiões, por parte dos serviços municipais e das empresas que gerem o sistema. Só em seis cidades, Viana do Castelo (800), Braga (213), Aveiro (200), Lisboa (1027), Coimbra (300) e Olhão (365), há perto de 3000 famílias que todos os meses ficam sem água.
Poderia apresentar-lhe uma extensa lista de outros exemplos mas fico-me já por este por ser suficientemente elucidativo.
Termino com uma citação extraída do manifesto de campanha de Ulisses Pereira, candidato à liderança distrital do PSD de Aveiro.
“…mas também não deixaremos de ser uma voz de defesa dos legítimos interesses dos eleitores que representamos que muitas vezes são esquecidos na voragem de uma conjuntura que não pode justificar tudo.”
Eu não diria melhor. A conjuntura não pode de fato justificar tudo.
Termino dizendo-lhe que a sua opinião naturalmente que conta.E agora mais do que nunca.
Abraço

Paulo Pinto disse...

Caríssimo Bettencourt,
está a ver o que chama de "incongurência" pelo lado errado. Se eu acho injusto que alguém tire um curso num ano, estou a fazer uma crítica clara a um sistema que permite que isso aconteça, assim como já fiz uma crítica clara ao sistema que dá diplomas de 12º ano a torto e a direito ou a um sistema que permite ao Mário Nogueira ter Bom na avaliação sem dar uma aula há 20 anos. Não me viu a pedir a demissão do Mário Nogueira, nem me viu a pedir a devolução do diploma a quem frequentou as Novas Oportunidades assim como eu o vi a si a pedir a demissão de Sócrates em devido tempo. Claro que o meu caro sabe isso mas vai continuar a insistir para que eu diga o que eu não vou dizer. Não vale a pena. Cumprimentos

Emanuel Bettencourt disse...

...lamentavelmente o nosso sistema jurídico não permite dupla punição. A do "sistema" e a do infractor.

Seria deselegante da minha parte continuar a insistir consigo para que diga o que manifestamente não quer dizer. Por isso fico mesmo por aqui.
Não posso no entanto deixar de lhe agradecer a oportunidade que me deu de poder expor e fazer valer estes pontos de vista.
Espero sinceramente poder reencontrá-lo em novas polémicas.

Despeço-me desejando-lhe ( a si e aos leitores do Blog )um óptimo fim de semana.