O Rei "barbado" mandou chamar todos os animais de sua estima, bem como os que não estimava mesmo nada, junto do seu laranjal.
À primeira trompetada compareceram os confrades laranjados, todos acitrinados e prontos a obedecer ao grande chefe "barbado".
Por seu turno, os confrades "jardinados" só à décima-quinta trompetada compareceram junto do laranjal, todos muito "rosados" pelo sol, prontos a criticar a falta de sombra no jardim, que constituía privilégio dos "confrades alaranjados".
Chegados aqui, pelo "Rei Barbado" foi dado a conhecer que era necessário criar uma rede de transporte dos detritos para fora da selva, uma vez que o "porco" estava cansado de fazer esse trabalho sozinho. Era preciso dar-lhe descanso...até porque o porco estava farto de andar sempre porco... Dizia-se que o porco, pretendia virar empresário, com as poupanças que foi amealhando com a porca da sua vida.
Isto era um verdadeiro problema.... se o porco já não queria fazer esse trabalho.. alguém o devia fazer.
Pelos "citrinados" foi proposto que tal tarefa deveria ser acometida aos confrades "rosados", até porque desde há muito que estavam habituados a fazer bosta..., tanta bosta... que os confrades "alaranjados" pouco precisariam de fazer para continuar a assegurar o poder ao "Rei Barbado"
Obviamente os confrades "rosados" não aceitaram o repto e sugeriram que era tempo dos confrades "alaranjados" saberem o que custa a vida, logo deveriam ser estes a tratar do transporte dos detritos.
Não havendo concenso, foi decidido nada decidir e adiar a resolução do assunto para melhor dia.
Antes de terminar a reunião, o Rei Barbado comunicou que face à ausência de voluntários, teria de fazer "out sourcing"... mandaria na semana seguinte uma embaixada deslocar-se à selva do lado a fim de contratar "um novo porco" devidamente habiliatado e pronto a fazer aquela função.
No dia seguinte, a toupeira-mãe sugeriu à sua familia constituir uma sociedade e serem eles a explorar aquele negócio... sempre seria melhor que andar sempre deixo da terra e amealhariam algum dinheiro, para um dia gozarem convenientemente a sua reforma...
De acordo, puseram-se a caminho do laranjal para comunicar a sua decisão ao Rei Barbado.
Nos corredores do laranjal, foi dado a conhecer dos intentos da sociedade "toupeira". De imediato formou-se novas sociedades... a dos "ratos", das "ratazanas", dos "ratolas" e das "lesmas".
Perante tanto voluntarismo, o rei barbado chamou novamente os confrades alaranjados e rosados, para deliberar...
Foi então decidido realizar um concurso, com regras muito bem definidas, do qual sairia o vencedor e a quem seria acometida tão nobre e vital tarefa de "transporte de detritos". O que foi alcançado por unanimidade.
A sociedade das lesmas foi logo excluída, por não cumprir com a velocidade minima necessária, pelo que foi muito contristada que abandonou o concurso, tendo-se inscrito no ginásio do "feira morimbunda" para melhorar a sua perfomance a pensar já no próximo concurso.
Restavam as toupeiras, os Ratos, as ratazas e os ratolas... todos muito parecidos, com performances muito semelhantes... variavam apenas as "proximidades".
As toupeiras eram mais próximas do laranjal. Por sua vez os ratolas eram mais próximos do jardim e finalmente os ratos e as ratazanas eram próximas dos dois, ou seja quando estavam no jardim eram uns ranhosos arrosados e quando estavam no laranjal eram uns citrinosos.
Apresentadas as propostas, estas eram quase um cópia das outras... com pequenas diferenças ( de preço, de velocidade de cumprimento da tarefa, da higiene e segurança de trabalho, etc. etc.).
Foi então decidido que os ratos e as ratazanas seriam classificadas em último e penúltimo lugar, uma vez que no conclave (onde só têm assento os confrades alaranjados e jardinados) não gostavam de "nins", ou eram proximos de uns ou de outros... logo seriam classificados nos últimos lugares.
Era preciso pois decidir pelo vencedor e pelo primeiro dos últimos do concurso.... Aí foi decidido atribuir por maioria dos alaranjados a concessão de transporte de detritos na selva à sociedade toupeira... por ter sido a primeira, por ter apresentado a sua proposta sem erros, em cor bastante alaranjada, enquanto a sociedade dos ratolas não preenchia este último requisito, pois foi apresentada em tinta quase cor de rosa, logo nunca poderia vencer, pois nas regras do concurso dizia-se que a proposta devia ser apresentada preferencialmente em laranja e obrigatoriamente em tons alaranjados.
Os confrades "jardinados" votaram contra... pois achavam que a proposta dos ratolas era melhor...e não sabiam que era preciso apresentar a proposta ens tons cor de laranja... isso era uma violência... e quando foi aprovado o regulamento de concurso - o qual votaram a favor- tal condição passou-lhes despercebida... assim como quase todas as outras.
Mais uma vez os confrades alaranjados atacaram os confrades "rosados" por não estarem atentos, de asinarem tudo de cruz... o que demonstra pouca vivaciade e acima de tudo falta de diligência nas suas altas funções de fiscalizar a actividade governativa do Rei Barbado.
E, assim passaram as toupeiras a realizar com afinco a tarefa de transporte dos detritos para a orla da selva, tal e qual tradicionalmente o porco o sempre fez, com o beneplacito dos citrinosos.
Vitória, vitória ... assim acabou esta história.
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