A entrevista estava marcada há algumas semanas, mas em cima da hora, Shrek ainda estava remitente em a conceder. Combinamos destorcer a voz e pintar-lhe os olhos, para não ser reconhecido. Após alguns momentos de tensão, sempre acede as dar-nos esta entrevista que pode ser explosiva.
1jornalista – Senhor Shrek, diz que recentemente foi vítima de uma vigarice por parte de uma professora. Pode esclarecer-nos?
Shrek – É verdade! Ainda sofro muito com isso. Até tenho recebido ajuda psicológica para ultrapassar esse trauma!
1jornalista – Mas conte-nos tudo!
Shrek – Eu nem sei se posso, porque está em segredo de justiça… mas pronto, eu conto:
No início deste ano eu aproveitei a benesse do senhor primeiro-ministro das “novas oportunidades” para terminar os estudos. Aliás quero aproveitar a oportunidade e agradecer ao nosso primeiro-ministro, porque este gesto só demonstra o lado humano do senhor. Ele bem sabe que nem todos nós, quando éramos putos tínhamos os Domingos de tarde livres e principalmente poucas famílias disponham de dinheiro para comprar faxes.
Ora, como eu já tinha alguns estudos, resolvi aproveitar e fui terminar os meus estudos.
1jornalista – Terminar o 12º ano, presumo.
Shrek – Presume mal…. Bem, fui terminar a pré – primaria! O 12º devo terminar daqui a 4…meses!
Bem, mas o que se passou a seguir é que foi de facto muito grave. A senhora professora....
1jornalista – Podemos saber o nome?
Shrek – Não! Se eu dissesse que a professora se chamava Ana Maria de Larosa e Albuquerque…. Poderia sofrer retaliações ainda mais severas! É que comigo não há “Compadrios” nem “Comadrias”… pois …isso!
Quase no fim do ano lectivo (aqui o ano lectivo termina ao mês) ela disse-me: “Senhor Shrek, queria dar-lhe uma boa nota, para que a minha classificação de professora seja boa e assim poder subir na carreira.”
Após várias reuniões (uma de 10 minutos) chegamos a um acordo. Ela dava-me 300 Euros e eu aceitava que me desse um três(3). Por 400 euros aceitava um quatro (4) e finalmente 500 euros dava para um cinco(5).
Ela como estava meia “tesa”, comprou-me um três(3) por 300 euros.
À noite, liga-me e diz que consegui juntar uns cobres lá em casa, e consegue pagar-me 400 euros para eu aceitar um quatro (4).
Pronto, ficou tudo combinado e não haveria mais algum problema.
1jornalista – Mas houve problemas, não foi?
Shrek – Até me custa falar nisso, porque dói bastante. No dia de sair as notas, ia muito feliz…até que…foi um choque.
1jornalista – Tenha calma…beba um copo de água com açúcar! Mas então que aconteceu, para ficar assim chocado…. A professora deu-lhe negativa?
Shrek – Antes desse. Imagine….na pauta estava lá escarrapachado um CINCO!
Senti-me enganado. Ela apenas tinha comprado um quatro. Já não se pode confiar nas pessoas!
1jornalista – Mas sei que o Shrek apresentou queixa….tem medo de represálias da professora?
Shrek – Sim! Aliás, já fui ameaçado mais que uma vez. A professora pede o telemóvel a alguém, e de forma anónima liga para mim e diz “Estás tramado…. Nem que seja a última coisa que faça, mas vou te dar um Cinco nem que a vaca tussa!
1jornalista – E agora, o que pensa fazer?
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