Mal chega à escola vai dar olá e mostrar um largo sorriso a todos aqueles que estão a avaliá-lo. Transporta resmas de fichas e a coluna sente o peso das ditas. Há que explicar como se preenchem as tais fichas. É que ter um excelente é o contrário de inexequível para ser considerado um professor de sucesso.
Depois o professor entra na sala e decididamente sente que a aprendizagem dos seus alunos é positiva. Trata-os a todos como alunos brilhantes e desculpa-os sempre que não sabem responder. Para ele são tudo mentes brilhantes, estudem ou não! Aliás existem teses que defendem uma inteligência activa em todos os seres humanos e cabe ao professor descobrir a sua localização! Por isso essa sua vocação é paga!
No antigo sistema os professores eram pagos para ensinar e assim descobrir os que tinham uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstracta, compreender ideias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não era uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente académica ou um talento para sair-se bem nas provas. Ao contrário disso, o conceito mudou de personagem. Agora passou para o professor! Passou a ser ele o avaliado! E sente uma certa nostalgia pelo tempo que passou na faculdade!
O professor faz o sumário, apresenta o seu plano da aula e antes de incutir competências aos seus alunos teste-as com uma ficha em que espera um resultado razoável. Finalmente expõe o tema de uma forma muito entusiasta e volta a distribuir uma outra ficha para testar o sucesso, o qual é garantido a 100%, pois fartou-se de escrever no quadro negro as respostas exactas e mesmo assim para não falharem foi espiar. Logo o sucesso foi 100% garantido. Só assim podemos ter orgulho das metas alcançadas e os governantes coitados já não ficam mal vistos entre os seus pares europeus. É que não fica nada bem a qualidade ou condição de ser estúpido, ou a falta de inteligência. Já basta termos os brasileiros a chamar os portugueses de burros em vários sites da Internet.
Depois de passar a manhã com este esquema de sucesso educacional, vai para a famosa sala de estudo em que aguarda ansiosamente que a chamem para fazer uma substituição.
Este seu empenho versátil em várias sabedorias exige que seja imaginativa e possuidora de uma grande dose de sacrifício pela pátria. Já o Estado Novo dizia "Tudo pela Nação, nada contra a Nação" e "Deus, Pátria, Família".
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