08 abril, 2008

Fernando Moreira - Louredo

A pouco mais de um ano das eleições autárquicas, fomos ouvir um dos presidentes de junta mais antigos do concelho - Fernando Moreira - que lidera os destinos da freguesia de Louredo há cerca de 20 anos. Uma breve revista sobre os temas da actualidade local.

Kouzas e Louzas (KL) – Os dois projectos – Parque de Lazer e Centro Escolar – já estão em andamento? Para quando a sua conclusão?
Fernando Moreira (FM)
– O Parque de Lazer foi colocado agora em concurso público. A adjudicação deve acontecer até final de Junho/Julho pelo que ainda este ano haverá obra.
Para o Centro Escolar foi adquirido o terreno em 2007. O projecto de arquitectura está pronto e até final do mês de Abril devem ficar concluídos os projectos de especialidade e demais documentos necessários para o concurso. Esperamos o concurso este ano e inicio de obras, no próximo ano.

KL – A um ano do termo do mandato, quais os projectos ainda por concretizar?
FM
– Para este mandato, para além das muitas pequenas coisas que fazemos diariamente, nem por isso menos importantes para a população, tínhamos, face às necessidades da freguesia e à programação efectuada há já algum tempo, 3 grandes objectivos:
- Levar o abastecimento de água a toda a freguesia (está na fase final a última parte desta obra);
- O Parque de Lazer, a levar a efeito no terreno com 5.000m2, doado à freguesia em 1993, localizado junto ao Polidesportivo, em S. Vicente;
- Construção de um Centro Escolar.
Face ao antes referido, até final do mandato e se tudo decorrer conforme está programado, teremos concretizado praticamente o que foi planeado.

KL – Sobre a polémica do “Centro de Saúde do Vale” foi avançada a criação de uma Unidade de Saúde Familiar para o nordeste do concelho. Qual a sua opinião?
FM
– Devido a problemas surgidos com a retirada dos serviços de enfermagem, aliados ao conhecimento que tinha das dificuldades para a marcação de consultas, sugeri que fosse criada uma USF atendendo a que as notícias que me iam e vão chegando referem uma melhoria significativa dos serviços. Ao que me consta houve, nesse Serviço, quem não gostasse da sugestão. Continuo, no entanto, a pensar que é necessário melhorar e rentabilizar o dinheiro investido pelo Estado na saúde. Entendo que as pessoas tem que ser consultadas quando adoecem e não quando é possível aos serviços. Se este desiderato se consegue com o modelo actual ou com a criação de uma USF, para mim não é muito importante. Importa é que o serviço funcione servindo digna e atempadamente quem dele necessita.

KL – A passagem da via rápida que irá ligar S. João da Madeira ao Porto (A32) irá beneficiar o crescimento desta zona do concelho. Em que medida poderá desenvolver Louredo?
FM
– A via rápida “A32” está previsto que passará nos limites da freguesia de Louredo com Guisande e que tenha um nó em Gião, próximo do limite de Louredo. Se estas previsões se verificarem os impactos negativos causados pela sua passagem serão mínimos, pelo que apesar de ser uma via com perfil de auto-estrada é natural que, com o tempo, possa trazer algumas mais valias para esta região. Teremos que estar atentos para evitar que eventuais benefícios não tragam iguais ou maiores malefícios. Na minha perspectiva todo o desenvolvimento desta zona deve ter em consideração todas as características positivas, designadamente a sua ruralidade. Pela nossa parte já começamos a tomar algumas medidas tais como a elaboração de um plano de urbanização para a parte central da freguesia (realizado em 2002 e que infelizmente ainda não se encontra homologado) que procuramos verter na revisão do PDM em curso.

KL – Como representante da C.M. da Feira na Suldouro, como encara a criação de um aterro sanitário em Canedo?
FM
– Após se ter estudado diversas soluções alternativas, concluiu-se que a mais vantajosa para todos, para dar continuidade a Sermonde, seria a construção de um novo aterro. Definiu-se então que o mesmo deveria ficar implantado no limite dos dois concelhos, porque a infra-estrutura é comum e porque era aí que se encontrava a maior mancha florestal de ambos os concelhos onde se poderia instalar um equipamento deste tipo. Os representantes da Feira e Gaia assumiram o princípio de que o aterro deveria ser colocado no local tecnicamente mais apropriado para o efeito. Técnicos da Empresa Geral de Fomento (representante do Estado) tecnicamente competentes e com muita experiência nesta área, foram indicados para elaborar estudo adequado. Analisaram toda a zona e escolheram diversos locais que depois foram devidamente estudados. Do estudo, que é público, resultou que o melhor local seria Canedo (Custouras/Sobreda).
Consciente de que estes equipamentos ainda transportam uma carga negativa muito grande ficaria mais satisfeito se ele fosse localizado noutro local. Contudo com o conhecimento que tenho do funcionamento de uma infra-estrutura deste tipo, como é o caso de Sermonde que tem sido visitado por muita gente e tem sempre a porta aberta para quem quiser faze-lo, encaro com naturalidade e tranquilidade a sua localização porque tenho a certeza de que a construção desta infra-estrutura, com todas as medidas preventivas que o estudo de impacte ambiental irá apresentar, não trará para a população mais inconvenientes do que uma qualquer média ou grande empresa. A sua instalação permitira ainda à freguesia onde é localizada obter uma série de mais valias que não são de todo desprezíveis e criar emprego quer directo quer indirecto. Para uma melhor compreensão da minha posição, gostaria de referir o desenvolvimento que teve Sermonde após a instalação do aterro. Apesar de também se ter decidido instalar em Sermonde uma CVO (Central de Valorização Orgânica) que continuará a tratar cerca de 40.000 toneladas/ano de resíduos, a cerca de 200m do aterro foi, recentemente, levado a efeito um loteamento para construções de luxo. Resta-me fazer votos para que o estudo de impacte ambiental seja devidamente acompanhado e que este assunto seja discutido com elevação e conhecimento mínimo de causa, tendo sempre presente que o fim em causa e trabalhar para a melhoria do ambiente.

KL – E quanto à necessidade de instalação do PERM?
FM
– Para um concelho que tem mais de 80 sucatas dispersas pelo concelho sem qualquer controlo ambiental, a construção do PERM é urgente e indispensável. Será ainda uma grande mais valia técnica e empresarial.

KL – A nova lei eleitoral para as autarquias, vem conferir novos poderes aos Presidentes da Câmara e retira poderes aos Presidentes da Junta nas decisões para o concelho. O que pensa destas alterações?
FM
– A actual lei eleitoral para as autarquias pode e deve ser melhorada. Mas o projecto de alteração que a cúpulas do PS e PSD haviam negociado não terá pernas para andar, uma vez que, em devido tempo, não ouviu as pessoas nem as associações de autarcas ANMP e ANAFRE e agora a arrogância do PS não lhe permite fazer as correcções mínimas e indispensáveis para que se consigam os necessários 2/3 de votos na AR.
Por exemplo, não faz qualquer sentido retirar aos Presidentes da Junta o direito de voto de documentos tão importantes, para todo o concelho, como os que se relacionam com plano e orçamento e depois permitir-lhe que votem as contas. NÃO posso concordar e acho até um absurdo. Se não servem para uma coisa também não devem servir para a outra. Admito que, com alterações legislativas mais profundas, os Presidentes de Junta possam até não fazer parte da Assembleia Municipal. Agora enquanto estiverem, tem que estar de corpo inteiro. Não podem aceitar que lhe passem um atestado de menoridade e até de desonestidade.

KL – Sendo um dos Presidentes de Junta mais antigos do concelho, continuará à frente dos destinos desta freguesia por mais 4 anos?
FM
– Para concluir este mandato ainda há muito trabalho para fazer. No entanto, é minha opinião que, para se servir com dignidade, nestas funções, é fundamental que se tenha alguma disponibilidade em termos de tempo e essencialmente gostar muito do que se faz. Quando fazer este trabalho começar a ser uma obrigação e não algo que se faz com muito gosto e até prazer, está na hora de abandonar e dar lugar a outro/a. Pela minha parte tento estar atento para na hora certa saber sair.

KL – Para terminar, qual a sua opinião sobre o blogue?
FM
– Faço algumas visitas ao blogue. Constato que está atento ao que se passa no concelho. Consegue tratar com alguma graça coisas sérias o que me parece positivo. Tecnicamente está muito bem conseguido.

Agradecemos a sua disponibilidade para esta entrevista, prometendo ficar atentos às novidades de Louredo.

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