08 julho, 2008

O Perigo da mudança no Ensino

No início tudo era contra! Em conversa com outros licenciados ficávamos com a ideia de que este modelo de avaliação de professores estava marcado pela burocratização, pela imposição aos avaliados e aos avaliadores de tarefas impossíveis de cumprir sem graves prejuízos da sua actividade lectiva, por critérios de avaliação pretensamente objectivos mas, na verdade, altamente discutíveis e, em grande medida, impossíveis de aferir.

Agora é visível que os que conseguiram algo diferente devido a esta política socialista altamente sectária estão com outra postura em relação aos colegas. Trata-se de uma guerra quase antropológica. E o preço de se ser diferente vai ser caro. È que agora vai existir entre pares o conceito do ser superior e o mais grave é que essa diferença não está em noções de inteligência ou até de capacidades. Ou será que não era assim quando éramos avaliados na faculdade?

Considerando que a finalidade de uma avaliação dos docentes efectivamente empenhada na melhoria das práticas educativas deveria ter uma dimensão essencialmente formativa e não apenas empenhada em criar diferenciações e hierarquias espúrias entre os professores, as quais irão acentuar ainda mais o clima de hostilidade e de desconfiança recíproca que já se vive em muitas escolas. Este fim de ano escolar já foi diferente em muitas escolas, principalmente nas que já seleccionam formação diferente para os ditos titulares. Já se sente no ar que existe um grupo que já se recusa a partilhar o que sabe. Depois vemos aquelas figurinhas que a tremer lá conseguiram um bacharelato e acrescentaram de qualquer forma um extra para conseguir equivalência a avaliar outros colegas que sempre foram superiores em termos intelectuais. Depois é ver o tal grupo a dizer constantemente que não é assim…que só eles sabem porque estão dentro do assunto. E será que agora estão contra a política desta ministra da educação? Claro que não! Este protagonismo faz-lhes bem ao ego. E assim começou uma nova era na educação em Portugal. A hierarquia do poder! E ainda falam na ordem dos professores? Qual ordem?...imaginem agora se isso seria possível entre advogados.

Mas a forma arbitrária com que o Ministério da Educação tem vindo a impor às escolas este processo de avaliação, violando sistematicamente as regras do direito e o enquadramento legislativo que o próprio Ministério definiu, não dá a mínima hipótese de defesa a qualquer um contratado ou até itinerante do quadro da zona pedagógica. Esses deixam-se arrastar pelo sistema. Tudo isto faz-me lembrar o sistema do tal Mugabe do Zimbábue. Não vejo diferença nenhuma! Aqui também é assim, muito barulho e depois tudo obedece e nunca acontece nada. E depois os professores ainda falam do 25 de Abril aos alunos? Para dizer o quê? Que os dessa época era revolucionários e que sabiam impor o que era democrático? E nós? Nós nem passamos pelo PREC! Voltamos a uma 2ª ditadura, apenas mais refinada. Vemos uma sociedade em que só há liberdade para uma opção: emigrar.
Por fim, o que se pode ver em muitas escolas do ensino básico e secundário são alguns professores, reunidos em assembleia ou representados pelos sindicatos a contestar, de forma clara e firme, este processo de avaliação do desempenho, enviando ao Ministério pareceres negativos devidamente fundamentados em papéis inúteis. Imagino lá no Ministério da Educação aquelas resmas de fichas com nomes e B.I. a chegar e ao mesmo tempo ficarem enroscados uns nos outros à espera do caixote do lixo. Ou pensam os sindicatos que é com diplomacia que se acaba com uma ditadura refinada?

Mas o perigo deste sistema está na estratégia! Dividir e assim mais facilmente controlar as hostes. E é assim que este governo fez e já vemos as consequências. O perigo em estar na escola de forma democrática, em que se intensifica o medo perante os outros. O perigo de ser eliminado pelas quotas. A hesitação entre ser excelente para os alunos ou para o avaliador. Aconselho a leitura daqueles livrinhos estilo americano que tem como titulo: “Como obter Excelente em poucas horas!?”

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