Uma vez disseram-me que emergência médica nos serviços de saúde é uma utopia
Mas a culpa desta situação tem um nome, o director do centro de saúde! Esse é o tal que defende a redução de médicos de família, defende a extinção dos chamados postos médicos e obriga os acamados, mancos e idosos a deslocar-se de madrugada para a freguesia do lado em busca frenética por uma vaga num qualquer USF. Pior, só mesmo na África central e só nos sítios onde não existam as famosas missões religiosas.
Já nem falo daqueles que não conseguem ter médico de família na freguesia onde vivem! É sempre a confusão geral quando se precisa de uma vaga. Nem todos os dias existem vagas e depois nem todos os médicos são sensatos e humanos. Depois não acho racional marcar uma consulta urgente e só a conseguir daqui a 2 ou 3 meses. Até lá arranjo forma de ir a um serviço particular, embora desconte os meus impostos e tenha direito a esse serviço. E isso é para quem pode, embora eu saiba que muitas pessoas estão a auto-medicar-se e até a recorrer a receitas antigas dos avós. E nisto tudo ganham as farmácias, as bruxas e os curandeiros. Devido a esta situação nos serviços de saúde os portugueses trocam as idas ao posto médico e USF, pelas da farmácia. Aí somos bem recebidos e ao colocarmos o nosso problema aparece sempre um medicamento que nos salva o corpo e a alma. Pagamos, mas vale a pena pela rapidez do serviço. Em diversos serviços de saúde é fácil os ânimos exaltarem-se, e daí até há troca de insultos entre utentes, funcionárias e médicos. Por vezes o incomodo é tanto que ainda ficamos mais doentes!
Com o aumento demográfico no concelho o ideal seria aumentar algumas das instalações de alguns postos médicos e duplicar o número de médicos. E nunca aniquilar postos médicos! E se não existirem, o melhor é contratar estrangeiros. Porque mais importante do que ter um TGV é ter qualidade de vida em termos de saúde. Agora optar pelo sistema privado é perigoso, porque fazer da saúde uma fonte de rendimento económico transforma o homem num ser materialista sem ética ou moral. Vejamos o insucesso nos Estados Unidos onde só tem direito a esses cuidados os ricos e possuidores de recursos económicos. “Os EUA são o único país do mundo que confia totalmente num sistema de seguros de saúde privados para cobrir com uma rede de cuidados de saúde toda a população, são por isso mesmo, o melhor exemplo para aquilo que seria a aplicação de um modelo idêntico, ou de um modelo mais privatizado do que o actual em Portugal, como pretende as empresas de Seguros portuguesas e como parecem ir caminhando os sucessivos governos (sempre mais ou menos frágeis na resistência aos interesses destes poderosos grupos financeiros).” Mas todos nós sabemos que não resulta em Portugal, basta fazer um estudo sobre as ridículas pensões dos reformados e aposentados. A saúde nunca deveria ser um negócio mas serviço!
Também ir a uma USF não resulta! Não me agrada ir de manhã para ter uma vaga suspeita no fim da tarde e por alguém que não conhece o meu historial clínico. Ir ao hospital é uma tragédia! Ainda me lembro do famoso dia em que acordei com bolhas nas mãos e recorri ao hospital e ao fim de duas horas aconselharam-me a ir a um dermatologista particular porque essa especialidade não existia no mesmo. É lógico que fui a uma farmácia e trouxe algo que me aconselharam. Enfim…estamos já no anunciado terceiro mundo!
Muitos já mostraram o seu desagrado no Livro amarelo. E dizer que "que os utentes estão zangados no local errado" é brincar com o povo. É triste dependermos da opinião de alguém que nunca soube o que é ser realmente doente e nunca esteve deste lado.
Entretanto temos um governo socialista apático e indiferente a esta sustentabilidade na saúde.
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