Já não há dúvidas. Os trabalhadores da fábrica de calçado Rohde, na Feira, vão votar contra a proposta de viabilização apresentada pela administração.
A maior empresa de calçado do país vai acabar na próxima assembleia de credores, ainda sem data marcada.Sem excepção, todos os trabalhadores que, ontem, se reuniram na sede do Sindicato do Calçado de Aveiro e Coimbra, em S. João da Madeira, para ouvirem os esclarecimentos sobre o plano de viabilização decidiram em uníssono dizer "não" à proposta que há duas semanas foi entregue no tribunal, que previa emprego apenas para 150 trabalhadores. Ou seja terão de ser despedidos 824.
"É uma proposta inaceitável e insultuosa para a inteligência dos trabalhadores". "O que eles pretendem [administração] é passar o odioso do encerramento da empresa para os trabalhadores" afirmou advogado do sindicato, Francisco Luís, perante as centenas de associados que não continham a sua indignação pela proposta que prevê o despedimento da grande maioria da força de trabalho.
"Isto não é uma proposta de viabilização, mas uma proposta de encerramento" explicou o advogado, considerando que, "para apresentarem isto era melhor não terem apresentado nada". E à pergunta que se seguiu: "Todos votam contra a proposta"? A sala encheu-se de um "sim" inequívoco.
Em declarações aos jornalistas, Francisco Luís, esclareceu, ainda, que a expectativa criada na anterior assembleia de credores apontava para a manutenção da maioria dos postos de trabalho ou pelo menos metade. "Uma expectativa frustrada", disse.
Sendo os trabalhadores os únicos credores (12 milhões de euros que lhes é devido pela empresa) cabe a estes decidir se aceitam, ou não, a proposta. E o voto será contrário na próxima assembleia de credores. A indemnização aos trabalhadores será efectuada depois de vendido o património. Se não for angariada o total da verba reivindicada, o valor da indemnização a atribuir será igual para todos os trabalhadores. O Sindicato prepara-se, agora, para accionar o Fundo de Garantia Salarial, sendo que os trabalhadores encontram-se, desde o início de Dezembro com o contrato de trabalho suspenso, usufruído do subsídio de desemprego.
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