01 fevereiro, 2007

O Idiota

Conta-se que numa pequena localidade do interior um grupo de pessoas divertia-se com um pobre infeliz da aldeia.
Um pobre de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e sobretudo de esmolas. Diariamente eles chamavam o homem à taberna onde se reuniam e ofereciam-lhe a escolha entre duas moedas - uma grande de 50 cêntimos e outra menor, de 1 euro.
Ele escolhia sempre a moeda maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos. Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou-lhe se ainda não tinha percebido que a moeda maior valia menos. "Eu sei" - respondeu o homem que não era tão tolo assim - "ela vale metade do valor, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou ganhar mais nenhuma moeda.
"Podem tirar-se várias conclusões dessa pequena narrativa:
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros tolos da história?
A terceira: Se você for demasiado ganancioso, acaba por estragar a sua possível fonte de rendimentos.
Mas a conclusão mais interessante é a seguinte: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas o que realmente somos. "O maior prazer de um homem inteligente é fazer-se de idiota diante de um idiota que se faz de inteligente".
Desconheço o autor desta história. Decidi publicá-la no Kouzas e Louzas dedicando-a ao nosso Ministro da Economia e especialmente ao nosso 1º Ministro.
Desculpem-me a minha franqueza, aos vossos olhos poderemos parecer cerca de dez milhões de idiotas. Mas, caros governantes, somos o "idiota" desta história.

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