As notícias recentes de congelamento de salários na função pública até 2013 marcaram indelevelmente a discussão do Orçamento de Estado. O Ministro das Finanças fugiu à pergunta, mas a suspeição não desapareceu.
Paulo Portas começou com a sua veia populista a discussão do Orçamento de Estado: "corte-se o 13º mês aos políticos". Todos percebemos que era de votos que Paulo Portas andava à procura quando anunciou a medida e que sabia bem que esta era totalmente inócua para o combate ao défice. Mas, percebemos, também, que o fim do pensamento não era o corte no 13º mês dos políticos, mas, sim, o corte nos salários da função pública. A direita disse ao que vinha quando José Sócrates pediu cumplicidade para o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que irá apresentar. O ataque aos trabalhadores, particularmente aos funcionários públicos, é a rota que já traçaram. Daí até à notícia do congelamento dos salários da função pública, bastaram algumas horas. E o que disse o governo sobre a matéria? Quando eram necessárias clarificações, o governo remeteu-se ao silêncio.
A linha será apresentada dentro de semanas, mas já percebemos que terá os suspeitos do costume. O PEC será negociado com a direita, a exemplo do que aconteceu no orçamento. Não podia ser de outra forma, dado que as escolhas são inequívocas respostas contra os portugueses. Na hora da escolha, os eleitos para pagarem a crise serão os de sempre. Esquecidos ficarão novamente os titulares de contas nos off-shores, os especuladores bolsistas, a banca...
O PEC é a peça basilar da política económica que o governo terá nos próximos anos. Quando o Governo dizia no parlamento que o orçamento de 2010 é a primeira pedra num caminho a percorrer até 2013, começa a desenhar as bases desse plano com as escolhas que colocam em causa o investimento público e em cima da mesa uma aceleração no caminho das privatizações.
A CP, a REN, a ANA, as Águas de Portugal, a GALP e a EDP são os nomes que ouviremos falar num futuro próximo na espiral privatizadora que teremos pela frente. Será um claro ataque aos serviços públicos, num reassumir da política neoliberal.
O silêncio a que o Governo se remeteu no momento em que poderia esclarecer o caminho que irá traçar no PEC, revela a crueza do ditado que conhecemos: "Quem cala, consente".
1 comentário:
Pelo menos deste deputado sabemos o que faz, é artigos de opinião, é intervenções, perguntas ao Governo. Já os outros eleitos do Concelho são o que são, ver quem faz menos.
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